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Associações procuram em Lisboa estratégias para promover uso da bicicleta

© Eric Gaillard / Reuters

Grupos promotores do uso da bicicleta de todo o país reúnem-se no fim de semana em Lisboa para trocar ideias e dar os primeiros passos para a criação de uma estratégia nacional que vulgarize este meio de mobilidade.

O 2.º Encontro Nacional de Grupos Promotores da Mobilidade Urbana em Bicicleta é organizado pela Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBI) e conta com organizações de todo o país, principalmente de Guimarães, Braga, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Setúbal, mas também da European Cyclists' Federation e de A Contramano - Assemblea Ciclista de Sevilla.

De acordo com Rui Igreja, da MUBI, o objetivo "é fomentar e incentivar uma maior comunicação entre grupos e organizações de ativistas pela mobilidade urbana em bicicleta, que possam partilhar experiências e trocar ideias" e também "começar a dar alguns passos para a criação de uma estratégia nacional conjunta em termos de ativismo e promoção da mobilidade" em bicicleta.

Apesar da inexistência de números acerca da utilização da bicicleta a nível nacional, Rui Igreja destacou que "tem havido, de há uma série de anos para cá, uma evolução do número das pessoas" que a usam nas suas deslocações diárias.

No entanto, sublinhou, ainda existe uma grande diferença de utilização da bicicleta em Portugal para os níveis médios europeus, onde a taxa média de utilização é de 8%. "Cá, em Portugal, estaremos a falar, provavelmente, hoje em dia, entre 1% e 2%. A Europa já está a falar em passar, nos próximos anos, de 8% para 15%", destacou.

Nos Censos de 2011, em Lisboa, houve o registo de 560 pessoas que utilizavam a bicicleta como meio de transporte principal no dia-a-dia.
Rosa Félix, investigadora do Instituto Superior Técnico (IST), pensa que são muitos mais e identificou no seu trabalho de mestrado, em 2012, a partir das respostas a cerca de mil inquéritos, três grupos de utilizadores de bicicleta em Lisboa: os utilizadores de fim de semana e para desporto, os do grupo dos principiantes e os utilizadores em deslocações diárias.

Os utilizadores de fim de semana eram especialmente homens entre os 30 e os 50 anos, utilizavam bicicletas mais caras e "respeitavam muito as regras do código da estrada".

O grupo dos principiantes era constituído sobretudo por mulheres e crianças, que usavam a bicicleta mais para fins recreativos e de lazer e que circulavam sobretudo no passeio, "porque não estavam tão seguras".

Já o dos utilizadores diários usava as bicicletas como um modo de transporte, mais adaptadas à cidade e até bicicletas dobráveis, para fazer intermodalidade com outros meios de transporte.

"A maior parte (deste último grupo) não usa capacete e a maior parte admite ter passado já sinais vermelhos e é menos respeitadora das regras de trânsito", contou.

Cada um dos grupos identificados no estudo representava à volta de 30% no universo dos utilizadores de bicicletas.

"Eu tenho a ideia de que as pessoas de fim de semana ou de utilizadores diários vão continuar a fazer o que já fazem, mas os utilizadores principiantes têm tendência a passar a utilizadores diários", salientou.

Para o seu doutoramento, Rosa Félix está a estudar "as barreiras à utilização das bicicletas na cidade", focada em perceber porque é que quem poderia eleger a bicicleta como meio de transporte não o faz.

O objetivo é criar perfis de utilizadores potenciais, para que os municípios tenham mais dados para poderem investir em campanhas mais direcionadas a essas pessoas, eliminando as barreiras que levam a que a bicicleta não seja usada nas deslocações diárias.

Segundo Rui Igreja, para promover o uso da bicicleta é necessário um conjunto de medidas integradas, que passam por sensibilizar as pessoas para o uso da bicicleta, "sensibilizar os condutores dos veículos automóveis para a presença da bicicleta". É também necessário que "as próprias infraestruturas sejam menos propícias a comportamentos de risco de automobilistas".

Rui Igreja sugeriu mesmo "incentivos para empresas e instituições públicas para que os seus colaboradores se desloquem de bicicleta para o trabalho".

O site ciclovias.pt contabilizou a existência de 1.787,060 quilómetros em 299 ciclovias, ecovias e ecopistas em pelo menos 115 municípios portugueses, números que, no entanto, não são atualizados desde finais de 2015.

No ano passado, o primeiro encontro de grupos promotores da mobilidade urbana em bicicleta foi realizado em Aveiro e contou com a participação de 17 grupos e organizações.

Lusa

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