06.07.2011 17:06

Cavaco diz "não haver mínima justificação" para corte de rating a Portugal

 
 

O Presidente da República considera "não haver  a mínima justificação" para o corte de rating a Portugal por parte da  agência de notação financeira Moody's e defende uma "resposta europeia"  nesta matéria, disse à Lusa fonte oficial de Belém. 

Em resposta a questões colocadas pela Lusa, sobre o corte de rating em quatro níveis efetuado terça-feira pela Moody's, fonte oficial da Presidência  da República respondeu que o chefe de Estado "considera não haver a mínima  justificação para que o rating de longo prazo de Portugal tenha sofrido  tal corte". 

O Presidente da República, segundo a mesma fonte, "congratula-se com  a condenação da atitude da agência de notação financeira Moody's por parte  da União Europeia, de instituições europeias e internacionais e de vários  governos europeus". Cavaco Silva defende ainda que "as questões em torno  da avaliação do risco e da notação financeira dos Estados-Membros da União  Europeia devem merecer uma resposta europeia". 

A agência de notação financeira Moody's cortou terça-feira em quatro  níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país  na categoria de 'lixo' (junk). 

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, lamentou a decisão  da Moody's e incentivou Lisboa a prosseguir no rumo de reformas negociado  com a 'troika', afirmando que a instituição que lidera ficou "bastante desiludida"  com a decisão da agência de notação financeira, visto não haver "factos  novos" que a justifiquem. 

Já o porta-voz do comissário europeu dos Assuntos Económicos classificou  como "extremamente infeliz" o "timing" da Moody's, dias após o Governo ter  anunciado medidas de austeridade suplementares. 

A ministra espanhola da Economia, Elena Salgado, declarou-se "surpreendida"  com os argumentos que a agência Moody's deu para baixar o 'rating' de Portugal  para 'lixo', considerando "prematuro" especular sobre as dificuldades de  Portugal em financiar-se até ao segundo semestre de 2013. 

O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schuble, também criticou a  decisão da agência: "Estamos tão surpreendidos com a decisão dessa agência  de rating como todos os outros, não compreendo o que está na base dessa  avaliação". 

A Moody's argumenta que existe o risco crescente de Portugal precisar  de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar  aos mercados no segundo semestre de 2013. 

Refere também que existe uma "possibilidade crescente de a participação  dos investidores privados ser imposta como pré-condição" para esse segundo  resgate, à semelhança do que está a ser estudado no âmbito de um segundo  pacote de ajuda à Grécia. 

O terceiro argumento prende-se com o agravamento dos receios de que  Portugal não seja capaz de cumprir a totalidade das metas de redução do  défice e da dívida acordadas com a troika, no âmbito do empréstimo de 78  mil milhões de euros. 

Com Lusa