07.10.2011 20:25

Teixeira dos Santos apela à aprovação do OE 2012 porque "não é momento para tirar dividendos políticos"

 
 
 

O ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos apelou hoje à aprovação do próximo Orçamento de Estado, na Assembleia da República, afirmando que não é momento para tirar dividendos políticos.

"O que se espera é que o Orçamento de Estado seja viabilizado. É um  momento de responsabilidade para todos nós, para mostrar que o País está  empenhado em avançar", afirmou Teixeira dos Santos.  

O ex-governante falava, assumiu-se, como "professor", perante uma audiência  repleta da Universidade Sénior de Vila Nova de Cerveira, em que o tema foi  precisamente a crise do 'subprime' e da atual dívida soberana. 

"É de esperar que o Orçamento de Estado dê cumprimento aos compromissos  assumidos (com a 'troika')", disse ainda, acrescentando que sempre defendeu  o sentido de responsabilidade. 

"Não é agora, por estar fora do Governo, que vou dizer o contrário.  Continua a ser um momento de muita responsabilidade", acrescentou. 

Sobre a atuação do Governo que sucedeu ao Partido Socialista, o ex-ministro  das Finanças de Sócrates elogiou as medidas entretanto tomadas. 

"As medidas que têm vindo a ser adotadas são consentâneas com o acordo  e os compromissos assumidos", apontou. 

Nesse sentido, os elogios à maioria PSD/CDS-PP não podiam ser mais evidentes:  "Acho que Portugal tem vindo a cumprir de uma forma escrupulosa o acordo  que foi feito com a 'troika' e isso é importante", sublinhou. 

Sobre a possibilidade de os países em dificuldades abandonarem a Zona  Euro, o ex-ministro socialista foi claro em relação a Portugal. 

"Ouço muitas vezes comentários se não seria melhor sair do euro? Não.  Isso seria uma ilusão. No euro ou fora do euro, o País tem que se financiar.  Alguém tem de emprestar dinheiro a Portugal, esteja fora ou dentro do euro",  acrescentou. 

Por isso, concluiu: "Estamos bem melhor no euro, mas agora é a altura  de pôr a casa em ordem". 

Teixeira dos Santos admitiu ainda a "dificuldade do momento atual",  mas observou que a crise da dívida soberana "não é o fim" do euro. 

"É um momento difícil, mas vai ser também o momento da verdade, em que  todos teremos de ter a capacidade de lançar novas soluções para sairmos  da crise", rematou. 

No final da sessão, Teixeira dos Santos recusou prestar declarações  aos jornalistas, justificando: "Já não sou político. Agora só dou aulas".

Lusa