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Louçã desconfia das garantias do Governo e pede "cuidado com as carteiras"

O líder do Bloco de Esquerda afirmou hoje suspeitar  da credibilidade da garantia do Governo de que não haverá mais aumentos  de impostos, e pediu aos portugueses para terem "cuidado" com as suas carteiras.

Num texto onde critica duramente "a cornucópia de excitações" da maioria e do Governo com o regresso aos mercados, intitulado "Benditos mercados que nos dão o pão nosso de cada dia", Louçã acusa o líder do PS de ser fiel à estratégia da troika' (Lusa/Arquivo)

Num texto onde critica duramente "a cornucópia de excitações" da maioria e do Governo com o regresso aos mercados, intitulado "Benditos mercados que nos dão o pão nosso de cada dia", Louçã acusa o líder do PS de ser fiel à estratégia da troika' (Lusa/Arquivo)

LUSA

Francisco Louçã falava aos jornalistas momentos antes da sessão de  lançamento da revista de intervenção política "Vírus", que tem o dirigente  do Bloco de Esquerda Fernando Rosas como diretor. 

"Não acredito num Governo que nos disse que tudo estava bem e que depois  apresenta um enorme buraco orçamental, um desvio colossal nas contas públicas",  disse o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, depois de  ser confrontado com a posição de oposição do CDS-PP a novos aumentos de  impostos e com a intenção do executivo de não voltar a aumentar a carga  fiscal. 

Francisco Louçã observou a seguir que o atual Governo já aumentou os  impostos "como nunca se imaginava", e que o primeiro-ministro, Pedro Passos  Coelho, durante a última campanha eleitoral, afirmou que seria "impensável  tocar no subsídios de natal" dos trabalhadores do setor público e dos pensionistas.

"Eu não acredito nestes governantes, porque sempre que eles nos dizem  que agora tudo vai correr bem, depois de tudo ter corrido mal, nós só lhes  perguntamos então por que motivo quiseram que tudo corresse tão mal. Eles  sabiam o que estavam a fazer e enganaram o país. Se agora nos prometem que  não vai haver mais aumentos de impostos, eu digo só aos portugueses: Cuidado  com as carteiras", advertiu Louçã. 

Na perspetiva do coordenador do Bloco de Esquerda, a via pelos aumentos  de impostos "é a política com que este Governo tem continuado sempre a atacar  o trabalho". 

"Os governantes não conhecem outra solução. Para eles, não pode haver  impostos justos e esforço para criar emprego", sustentou. 

Interrogado sobre a possibilidade de Portugal ter mais um ano de ajustamento  para cumprir a meta dos três por cento de défice, Louçã contrapôs que os  primeiros três meses deste ano de execução orçamental "provam o enorme embuste"  da linha seguida pelo Governo. 

"No Bloco de Esquerda não esperamos nenhuma solução por parte dos criadores  desta crise. Precisamos que haja uma viragem na Europa, uma recusa das políticas  de austeridade com aumentos de impostos e corte de salários, porque só assim  Portugal e a Europa podem recuperar um caminho em que a economia sirva para  criar emprego", disse. 

Sobre o eventual alargamento para 2014 do prazo para concretizar o  programa de ajustamento económico e financeiro de Portugal, Francisco Louçã  argumentou que "é preciso recuperar a economia já, sem esperar mais um ano".

"Se o que nos estão a dizer é que são necessários quatro e não três  anos de austeridade da 'troika', então é o mesmo que optar entre cortar  uma mão ou cortar uma perna. Portugal precisa é de recuperar a economia  já, não perder mais tempo", declarou. 

Lusa

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