07.01.2012 19:17

Jerónimo Martins distribui planfletos a clientes do Pingo Doce defendendo-se das "graves inverdades"

 
 

A Jerónimo Martins distribuiu hoje aos seus clientes do Pingo Doce um planfeto onde se defende do que considera "graves inverdades" que têm sido ditas no seguimento da transferência do controlo da empresa para a Holanda.

"Em nome dos mais de 25 mil colaboradores que o Pingo Doce emprega em  Portugal, e na sequência de muitas notícias e comentários das mais variadas  origens produzidas ao longo dos últimos dias e que contêm graves inverdades,  entende esta Companhia (...) partilhar consigo três verdades fundamentais  (...)", lê-se na nota distribuída e que é assinada por Pedro Soares dos  Santos, administrador-delegado da Jerónimo Martins SGPS, SA. 

Sem nunca se referir ao facto de no passado dia 2, a Jerónimo Martins  SGPS ter comunicado que a Sociedade Francisco Manuel dos Santos vendeu os  56,1% que detinha na Jerónimo Martins SGPS, dona do Pingo Doce, a uma sociedade  sua subsidiária na Holanda, a nota prossegue e explicita "as três verdades"  anteriormente anunciadas. 

"A sede social e a residência fiscal do Pingo Doce mantém-se, como sempre,  em Portugal e nunca a sua alteração esteve em questão"; sublinha a empresa,  adiantando que "as obrigações sociais e fiscais do Pingo Doce para com o  Estado português e os seus cidadãos continuarão a ser honradas como sempre  foram (...)".  

Por fim, o plafleto entregue à porta dos supermercados esclarece ainda  que "a Jerónimo Martins, que detém maioritariamente o Pingo Doce, mantém  também a sua sede e residência fiscal em Portugal, continuando a contribuir  social e fiscalmente neste País". 

O esclarecimento da Jerónimo Martins termina salientando que "tudo o  que ouvir ou ler em sentido contrário ao que aqui afirmamos pode considerar,  sem margem para qualquer dúvida, falso e/ou demagógico". 

A nota da Jerónimo Martins surge após os vários comentários feitos desde  dia 2 de janeiro, aquando do comunicado onde se ficou a saber que o controlo  da Jerónimo Martins iria passar para as mãos de uma empresa com sede na  Holanda. Além dos vários comentários feitos, chegou mesmo a haver apelos  nas redes sociais a um boicote às compras no Pingo Doce e o assunto chegou  a ser um dos temas no debate quinzenal no Parlamento com a presença do primeiro-ministro  que se realizou na sexta-feira. 

Na altura, Pedro Passos Coelho chegou a garantir que "a Autoridade Tributária  e Aduaneira (ATA) está a analisar os aspetos fiscais que rodeiam a operação (Jerónimo Martins) de modo a fazer uma leitura mais correta daquilo que  se passou". 

Perante estas declarações, a Agência Lusa perguntou ao Ministério das  Finanças o que levou a ATA a iniciar a análise anunciada por Passos Coelho,  se foram adotados os mesmos procedimentos quando outras empresas fizeram  o mesmo tipo de operações e a que resultados chegaram e que tipo de procedimentos  estão a ser adotados na análise anunciada pelo primeiro-ministro. No entanto,  até ao momento não houve qualquer resposta. 

Lusa