23.01.2012 23:47

Concentração para angariar moedas para Cavaco Silva em protesto contra declarações sobre reforma

 
 
 

Os portugueses foram esta segunda-feira desafiados, através da Internet, a irem hoje ao Palácio de Belém levar uma moeda ao Presidente da República, Cavaco Silva, numa iniciativa de repúdio face às suas recentes declarações sobre as reformas que recebe.

A ação, que segundo os promotores - os blogues Arrastão e Jugular,  além de Paulo Querido, a nível individual - pretendia ser uma 'Flash Mob' (mobilização espontânea), está marcada para as 17:30. 

"É uma iniciativa que tem a ver com as palavras do Presidente da República  acerca das suas reformas e da sua pretensa insolvência e incapacidade de  se sustentar ou de pagar as suas contas", disse Pedro Vieira, do blogue Arrastão, à Agência Lusa. 

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse na sexta-feira no Porto  que aquilo que vai receber como reformas "quase de certeza que não chegar  para pagar" as suas despesas, valendo-lhe as poupanças que fez, com a mulher,  ao longo da vida. 

Classificando tais declarações como "indignas", Pedro Vieira defende  uma resposta num registo diferente, que se pretende criativo e satírico.

"Pedimos às pessoas que cada um traga a sua moeda, independente do valor,  para ajudarmos o Presidente da República", continuou, lembrando que o povo  português tem uma tradição solidária, tendo ao longo da História sabido  unir-se em favor dos outros. 

As moedas recolhidas serão, segundo Pedro Vieira, dadas em mão a alguém  da Casa Civil do Presidente ou, em alternativa, entregues a um guarda da  GNR de serviço à porta do palácio. 

Para o caso de nenhuma possibilidade funcionar, resta ao promotores  abrir uma conta na Caixa Geral de Depósitos em nome de Aníbal Cavaco Silva,  referiu Vieira, admitindo que, numa outra fase, os portugueses venham ainda  a vestir-se de branco pelo Presidente da República. 

"Aníbal Cavaco Silva precisa claramente de ser ajudado em termos económicos  e de raciocínio e de comunicação, porque de facto para uma pessoa que ocupa  o primeiro cargo da Nação parece estar a atravessar algumas dificuldades",  adiantou à Agência Lusa. 

O Presidente da República esclareceu hoje à Agência Lusa que, com as  declarações que proferiu sobre as suas pensões, apenas quis ilustrar que  acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades, não tendo  sido seu propósito eximir-se dos sacrifícios. 

"Não foi obviamente meu propósito eximir-me aos sacrifícios que os portugueses  estão a fazer nos dias de hoje, tendo mesmo insistido que o meu caso pessoal  não estava em questão", refere o chefe de Estado numa declaração escrita  à Agência Lusa, em resposta às questões colocadas sobre as declarações que  proferiu na sexta-feira acerca das suas pensões. 

Lusa