09.02.2012 19:54

Administração da Cerâmica de Valadares anunciou pagamento de salários de dezembro

 
 

A administração da Cerâmica de Valadares começou hoje a efetuar o pagamento do mês de dezembro aos trabalhadores, um dos dois salários que se encontram em atraso, confirmou à Lusa o administrador da empresa.

Na sequência deste anúncio, os trabalhadores reuniram-se e decidiram manter o bloqueio, em vigor desde a semana passada, até receberem o valor relativo a janeiro, uma vez que "estão fartos de ser aldrabados", disse  o dirigente do Sindicato dos Cerâmicos do Norte Manuel Mota. 

Segundo o administrador, António Galvão Lucas, os clientes da empresa  devem cerca de oito milhões de euros, tendo este pagamento sido permitido  graças a receitas normais da Cerâmica de Valadares e sem que tenha sido  necessário recorrer às verbas comprometidas na sequência do acordo com a  Hagen, anunciado na semana passada. 

O mês de janeiro só deverá vir a ser pago nos próximos 10 dias, explicou  Galvão Lucas, salientando que isso apenas poderá acontecer caso os trabalhadores  "cumpram a sua parte, que é deixarem a empresa laborar normalmente" e sair  o produto acabado. 

De acordo com Manuel Mota, estas declarações da parte da administração  "soam mesmo a falso", já que têm vindo a ser repetidas ao longo do tempo.

O administrador da empresa considerou toda a situação em torno da Cerâmica  como "uma tempestade num copo de água", sublinhando que há outros negócios  em marcha, decorrentes da atuação normal da fábrica. 

De acordo com Augusto Nunes, da União de Sindicatos do Porto, a informação  que receberam foi a de que os salários de dezembro estariam a ser pagos  hoje, adiando para sexta-feira decisões sobre ações futuras. 

Na sexta-feira passada, a administração da Cerâmica de Valadares anunciou  ter sido encontrada uma solução para o pagamento dos salários em atraso  dos trabalhadores da fábrica. 

Em comunicado, a Cerâmica de Valadares disse ter assegurado "o pagamento  de salários em atraso aos seus colaboradores" através de "uma grande encomenda  realizada pelo grupo Hagen SGPS", tendo sido possível "graças à relação  de confiança demonstrada pela Hagen que aceitou proceder ao pré-pagamento  do fornecimento". 

Lusa