09.02.2012 19:51

Principais datas da crise financeira e política na Grécia

 
 

Os partidos que integram o governo de coligação  grego alcançaram hoje um "acordo global" sobre as novas medidas de austeridade  a aplicar no país.  Após vários dias de intensas negociações e de diversos recuos, Atenas  cumpre assim exigências dos parceiros da União Europeia (UE) e do Fundo  Monetário Internacional (FMI) para o avanço de um novo plano de resgate  e evitar a bancarrota do país em março. 

Principais datas da crise grega: 

2009  

- Outubro: O Governo grego liderado pelo socialista George Papandreou  revê em alta as previsões do défice público do país para 2009 (12,7% do  Produto Interno Bruto contra os 6% inicialmente previstos). 

2010  

- 23 de abril: A Grécia, cuja dívida ascende aos 350 mil milhões de  euros, resolve pedir ajuda internacional. Dias depois, a UE e o FMI aprovam  um plano de ajuda avaliado em 110 mil milhões de euros para fazer frente  à crise grega. O governo de Atenas assume o compromisso de aplicar um plano  de austeridade. 

- 05/06 de maio: É convocada uma greve geral, a terceira em poucos meses,  e existem registos de incidentes violentos em diversas manifestações convocadas  no país. Os confrontos fazem três mortos. 

2011  

- 29/30 de junho: Novo plano de austeridade e de privatizações. 

- 21 de julho: Acordo da zona Euro prevê um novo plano de resgate da  Grécia, com a contribuição dos credores privados (bancos, seguradoras e  fundos de investimento). 

- 20 de outubro: O Governo de Papandreou propõe um projeto-lei com novas  medidas de austeridade para diminuir o défice da Grécia e evitar a bancarrota.  O diploma dá origem a uma greve geral de dois dias e milhares de pessoas  protestam nas ruas. As manifestações são marcadas novamente por confrontos  violentos, que fazem uma vítima mortal.

- 27 de outubro: Os líderes europeus e da zona Euro aprovam um novo  plano para reduzir a dívida grega e atribuir a Atenas um novo plano de resgate,  na ordem dos 130 mil milhões de euros. O novo plano prevê, entre outras  medidas, que a banca aceite perdas de 50 por cento nos investimentos na  dívida soberana grega. 

- 31 de outubro: Papandreou anuncia intenção de submeter o plano europeu  a um referendo.

- 02 de novembro: A UE decide congelar a 6. parcela de ajuda internacional  à Grécia, no valor de oito mil milhões de euros, até à realização do referendo  anunciado pelo Governo helénico.  

- 03 de novembro: Primeiros sinais de divergência no seio do executivo  grego. O ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, afirma ser contra o  referendo. Os rumores sobre a demissão de Papandreou aumentam.

- 04 de novembro: O Governo helénico comunica oficialmente a decisão  de desistir do referendo. 

- 05 de novembro: O primeiro-ministro grego divulga que vai avançar  com contactos para formar "um governo de cooperação". O Presidente, Carolos  Papoulias, anuncia que vai "convocar de imediato" os líderes dos partidos  políticos.  

- 06 de novembro: O PASOK (socialistas) e a Nova Democracia alcançam  um acordo político para a formação de um governo de coligação, mas sem Papandreou.  O Ministério das Finanças grego informa que as eleições antecipadas terão  lugar a 19 de fevereiro. O tecnocrata independente Lucas Papademos, ex-vice-presidente  do BCE, surge como o nome mais bem posicionado para assumir a chefia do  executivo de transição. 

- 11 de novembro: A Presidência grega designa oficialmente Papademos  para formar um governo de coligação (socialistas, direita e extrema-direita).

- 07 de dezembro: Votação do orçamento de Estado de 2012, o terceiro  orçamento de austeridade. A Grécia "é e continuará a ser uma parte da Europa  unida e do euro", afirma Papademos. 

2012 

-13 de janeiro: Os bancos suspendem as negociações com o Governo helénico  quanto às modalidades de reestruturação da dívida do país. 

- 20 de janeiro: Início das discussões com a troika sobre as reformas  a implementar antes do avanço para um segundo plano de resgate. 

- 23 de janeiro: É definida uma data limite, 13 de fevereiro, para a  conclusão das negociações entre Atenas e os credores privados. 

- 27 de janeiro: Debate europeu sobre o envolvimento do Banco Central  Europeu (BCE) no processo de reestruturação da dívida grega.  

- 28 de janeiro: Atenas recusa ceder a sua soberania em matéria orçamental,  medida proposta pela Alemanha à zona Euro. 

- 02 de fevereiro: Antes do desbloqueamento de um segundo pacote de ajuda,  os parceiros europeus e o FMI exigem que os partidos da coligação governamental  assumam um compromisso sobre a aplicação de novas medidas estruturais. 

- 07 de fevereiro: 20.000 pessoas manifestam-se nas cidades de Atenas  e Salónica para contestar o projeto do novo memorando e as medidas de austeridade.  Uma bandeira alemã é queimada por manifestantes em frente ao Parlamento  grego. 

- 09 de fevereiro: O gabinete do primeiro-ministro grego anuncia um  "acordo global sobre o conteúdo do novo programa" de rigor. Os sindicatos  apelam para a realização de uma greve geral na sexta-feira e no sábado.

 

Antes da Irlanda e de Portugal, a Grécia foi o primeiro país da zona  euro a receber um resgate da UE e do FMI, em maio de 2010.  

Principais factos e números da economia grega:  

- Entrada na zona euro: A Grécia foi o 12. país a aderir à zona euro,  a 01 de janeiro de 2001. O país não cumpria os critérios de convergência  do Tratado de Maastricht quando a união económica e monetária nasceu oficialmente,  a 01 de janeiro de 1999.  

- Dívida pública: A Grécia tem a maior dívida pública relativamente  ao produto interno bruto (PIB), devendo mais de 350 mil milhões de euros.

Apesar de a zona euro impor um limite de endividamento de 60 por cento  do PIB, em 2010 a dívida total grega ascendia aos 144,9 por cento do PIB  e a previsão é de que atinja os 161,7 por cento em 2011. Ao abrigo de um acordo com os credores privados, a dívida deverá cair  para os 145,5 por cento do PIB em 2012 e para os 120 por cento, em 2020.

- Défice: O défice anual das contas públicas gregas foi de 10,6 por  cento em 2010, com os responsáveis governamentais a preverem 9,6 por cento  do PIB para 2011.  

As mais recentes previsões da Comissão Europeia apontam para uma queda  para os sete por cento em 2012, não levando em conta medidas de redução  da dívida. 

- PIB: 227,3 mil milhões de euros em 2010 de acordo com dados do Eurostat,  o gabinete de estatística da UE. 

- Crescimento económico: A economia grega caiu 4,5 por cento em 2010.  As estimativas apontam para uma contração superior a 5,5 por cento em 2011  e para uma quebra de 2,8 por cento em 2012, antes da Grécia voltar a crescer,  0,7 por cento em 2013. 

- Economia: A economia grega representa menos de três por cento do PIB  da zona euro. A economia informal, segundo alguns estudos, equivale a um  terço de toda a atividade económica no país.  

Os setores principais são o turismo e a logística. A economia está em  recessão desde 2008.  Segundo cálculos da UE, a economia contraiu 15 por cento desde o início  da crise da dívida soberana. 

- Inflação: 4,7 por cento em 2010, 2,8 por cento em 2011 e 0,6 por cento  em 2012, segundo previsões do Orçamento do Estado grego.

- Desemprego: O número de desempregados registados oficialmente na Grécia  ultrapassou o milhão em novembro, num total de 11 milhões de habitantes.  Este dado representa o valor recorde de 20,9 por cento da população ativa  em busca de emprego.  

 

    Lusa

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