09.02.2012 18:41

UGT acusa direção da CGTP de ser radical e "ultraortodoxa"

 
 

O secretário-geral da UGT, João Proença, denunciou hoje a existência de um "clima de radicalização" por parte da direção da CGTP, que acusa de ser "ultraortodoxa" e "subordinada" ao PCP, e de tentar "dividir" a UGT.

"Desde o último congresso (da CGTP) achamos que há um clima de radicalização  por parte da direção da CGTP, uma direção ultraortodoxa, totalmente subordinada  ao PCP", acusou João Proença, em conferência de imprensa. 

De acordo com o secretário-geral da UGT, "há dois objetivos" claros  da atual direção da Intersindical, cujo secretário-geral é Arménio Carlos,  e que a Intersindical está a tentar pôr em marcha através de uma "'pseudo'  greve geral". 

E concretizou: "Há claramente dois objetivos da atual direção da CGTP,  o de caminhar rapidamente para uma 'pseudo' greve geral e o de dividir a  UGT". 

João Proença garantiu que existe já uma proposta de Arménio Carlos com  vista à realização de uma greve geral e lembrou o que aconteceu em novembro  de 2002. 

"Isso está claramente no terreno e é uma 'pseudo' greve geral porque,  de facto, é uma greve que não vai ter um grande grau de cobertura", disse,  acusando a CGTP de se ter precipitado há dez anos quando declarou uma greve  geral numa altura em que a UGT estava empenhada em continuar o diálogo sobre  o Código do Trabalho que culminou num compromisso com o Governo em janeiro  de 2003. 

João Proença disse, a propósito, que "essa greve geral teve uma desão  de 13 por cento e foi completamente ridícula". 

Relativamente à segunda acusação feita à CGTP, o sindicalista referiu  que "é evidente que para essa 'pseudo' greve geral estão a tentar dividir  a UGT", mas "analogamente ao que aconteceu em 2002", a Intersindical não  vai ter "grande êxito nas suas lutas". 

Por último, João Proença deixou um recado à nova direção da central  sindical, para que deixe de considerar a UGT "como um inimigo principal"  e não insista em "regressar a 1975 e à unicidade sindical". 

"Já é tempo de a CGTP, 37 anos depois de 25 de abril, deixar esse mito  da unicidade sindical e assumir a liberdade sindical em Portugal como um  valor fundamental do Estado de direito", rematou João Proença. 

Na origem da tensão entre a UGT e a CGTP está o facto de João Proença  ter assinado o acordo tripartido com o Governo e as confederações patronais,  a 18 de janeiro. Este acordo deixou de fora a CGTP que considera o 'Compromisso  para a Competitividade e o Emprego' uma "monstruosidade" que promove a liberalização  dos despedimentos e a perda de direitos dos trabalhadores. 

Lusa