10.02.2012 12:31

PCP e BE criticam conversa entre Vítor Gaspar e Schauble

 
 

O PCP considerou que o diálogo entre Gaspar e ministro alemão "mostra farsa imensa" e que Portugal vive há dois anos. Já o Bloco de Esquerda acusa Vítor Gaspar de andar de "mão estendida" em Bruxelas à espera de "uma benesse" alemã.

O PCP considerou hoje que a admissão pelo ministro das finanças alemão de um reajustamento do programa de austeridade português revela "a farsa imensa que se desenvolve há dois anos" e que as políticas de austeridade estão condenadas a alterações sucessivas. 

"Este diálogo só mostra a farsa imensa que se desenvolve no nosso país há dois anos, em que todas as medidas, todos os programas, todos os planos, primeiro os PEC e agora os programas de ajustamento, são definitivos até serem alterados, pressionados pela política que eles próprios vão provocando", afirmou o deputado comunista Agostinho Lopes aos jornalistas no Parlamento.

"O primeiro-ministro, depois do que disse nestes últimos dias, já não deve ter língua", considerou Agostinho Lopes. 

No entanto, o deputado comunista advertiu que "o povo português não deve agradecer ao ministro alemão, porque a nova receita será certamente de mais austeridade, mais falências de empresas, mais desemprego, a continuação do afundamento do país". 

"A solução é a renegociação da dívida, o alargamento dos prazos, a reconsideração do valor da dívida, a criação de condições ao nível dos serviços de dívida, que permitam ao país crescer. Só crescendo economicamente seremos capazes de pagar a dívida e sobreviver com um mínimo de dignidade", defendeu. 

O Bloco de Esquerda acusa o ministro das Finanças de "fingir" em Portugal que é possível cumprir o programa de ajustamento financeiro, mas depois andar de "mão estendida" em Bruxelas "à espera de uma benesse qualquer".

"Na prática, percebemos que o ministro das Finanças finge cá em Portugal que o acordo é possível de cumprir mas depois coloca-se de mão estendida em Bruxelas à espera de uma benesse, de uma qualquer migalha do Governo alemão", afirmou hoje o deputado do BE Pedro Filipe Soares, numa declaração no Parlamento. 

No entanto, para o BE, Vítor Gaspar "é um ministro que tenta depois dar o dito por não dito, porque aquilo que todos viram, aquilo que todos ouviram é um ministro de mão estendida que não acredita que este acordo é cumprível", ao mesmo tempo que "está a levar o país numa senda de austeridade que destrói a economia, sem qualquer saída à vista que não seja esta benesse, estas migalhas alemãs". 

"É um ministro que na prática não defende os interesses portugueses mas se submete aos interesses alemães", sublinhou Pedro Filipe Soares. 

O deputado insistiu em que na conversa filmada e divulgada pela TVI entre os dois ministros, Vítor Gaspar "dá a entender" que "acredita que este plano é incumprível", porque se assim não fosse, "não aceitaria, não diria muito obrigado como disse ao governante alemão". 

O Bloco lamenta assim que Vítor Gaspar tenha de ir a Bruxelas "perceber o óbvio, aquilo que o Bloco de Esquerda tem dito ao longo deste tempo todo: não é possível cumprir este programa, que vai destruir o país e a economia e levar cada vez mais fundo a recessão", não podendo o país ficar à espera  de uma "benesse que venha do Governo alemão para decidir o seu futuro".

Com Lusa