12.02.2012 18:47

Estaleiros de Viana tentam encaixe com leilão de 1696 toneladas de aço e 190 quilómetros de cabos 

 
 

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo  (ENVC) vão tentar vender, em leilão, 1696 toneladas de aço e 190 quilómetros  de cabos, garantindo assim algum encaixe financeiro para a empresa, explicou  hoje à Lusa fonte ligada ao processo.

Em causa estão quatro lotes que variam entre as 187 e 669 toneladas  de aço, em leilão até às 16:00 de segunda-feira, data limite para a entrega  das propostas que serão abertas no dia seguinte, pelas 10:00. 

"O material que vai a leilão é aço sem utilização para as encomendas  existentes. Tratam-se, portanto, de lotes de sobras e de aço muito deteriorado",  disse a fonte da administração dos estaleiros.  

Na terça-feira os concorrentes "serão convidados a melhorar as suas  ofertas, lote a lote", explica a empresa, sem querer apontar uma estimativa  para o encaixe financeiro. 

"Existe um valor indicativo, baseado no valor de referência do stock  e do valor de mercado atual. Não vamos contudo revelar esse valor antes  de se realizar o leilão", acrescentou a administração. 

Nas mesmas circunstâncias decorre o segundo leilão para a venda de  190 quilómetros de cabos elétricos, depois de a administração dos ENVC ter  decidido, no final de dezembro, não realizar o negócio com uma empresa do  sucateiro Manuel Godinho. 

Este material envolve várias dezenas de tipologias de cabos, sobretudo  em cobre, num peso total avaliado em 71 toneladas. 

Tratam-se de cabos elétricos sobrantes de várias construções, nos últimos  dez anos, e outros que entretanto deixaram de estar homologados. 

No leilão anterior, realizado a 23 de dezembro na empresa, ao fim de  quatro lances, a Raplus Soluções Ambientais melhorou a proposta inicial,  chegando aos 2420 euros por cada tonelada. 

A empresa em que Manuel Godinho elevou para 171.820 euros a proposta  total, contra a de um empresário do Fundão, de 170.400 euros. 

A decisão de "não vender" nestas condições, explicou a administração,  prendeu-se com o facto de "o valor da proposta mais elevada ser muito aquém  do valor de mercado do material leiloado e muito afastado do valor registado  em stock". 

"Após análise de toda a informação constante das peças do processo de  leilão de cabos elétricos e em particular o relatório final do júri, o Conselho  de Administração da ENVC deliberou por unanimidade não proceder à adjudicação  do material leiloado", acrescentou a mesma fonte. 

Além do passivo acumulado, que já ultrapassa os 270 milhões de euros,  e dos prejuízos dos últimos anos, os ENVC enfrentam ainda problemas de tesouraria,  não tendo liquidez para pagar salários ou encomendar matéria-prima para  as construções em curso. 

A empresa estabelece que o material leiloado "só poderá ser levantado  das instalações" depois de "totalmente pago", num prazo máximo de cinco  dias após a adjudicação. 

Lusa