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Isabel dos Santos considera fusão do BPI com BCP melhor que oferta do CaixaBank

A empresária angolana Isabel dos Santos propõe uma fusão entre o BPI e o BCP em resposta à Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank sobre o primeiro banco, defendendo que esta é a melhor alternativa para os acionistas. 

As ações do BPI dispararam mais de 27%.

As ações do BPI dispararam mais de 27%.

© Hugo Correia / Reuters

"A oferta do CaixaBank não reflete corretamente o valor da instituição, por si só, nem o seu potencial de crescimento, e não partilha com os acionistas do BPI o adequado valor das anunciadas sinergias. É por isso que cremos deverem ser equacionadas alternativas a essa proposta que defendam os melhores interesses de todos os acionistas e do próprio Banco BPI", lê-se na carta enviada pela Santoro Finance, 'holding' de Isabel dos Santos, aos líderes do CaixaBank, do BPI e do BCP.

No documento, hoje divulgado ao mercado pelo banco liderado por Fernando Ulrich, a Santoro, que detém quase 19% do capital do BPI, admitiu que tem "as maiores reservas à adoção de qualquer projeto que, não salvaguardando a independência de gestão do Banco BPI, implique a sua consolidação numa estrutura internacional, ainda que ibérica, como se pretende fazer com a anunciada oferta pública de aquisição".

E realçou: "Um dos mais importantes alicerces do Banco BPI passa pela existência de uma estrutura acionista diferenciada, mas alinhada e coesa, que preserve a independência da sua gestão a longo prazo".

A Santoro sublinhou que, enquanto acionista significativo do BPI, "sempre esteve presente no apoio à instituição num projeto partilhado de criação de valor, incluindo nos momentos mais críticos vividos ao longo da crise dos últimos anos".

Segundo a 'holding' da filha do presidente de Angola, tal sucedeu "no momento em que adquiriu a sua participação inicial, numa fase em que o banco e a economia portuguesa viviam já um dos mais complicados momentos da sua história recente", bem como "quando reforçou a sua posição, criando uma situação de equilíbrio de votos que permitiu, aliás, o reforço da posição do CaixaBank sem que esta instituição fosse obrigada ao lançamento de uma OPA por ultrapassagem do limite dos 33,33% do capital social".

Mais, a Santoro reforçou que também apoiou o BPI "no último aumento de capital, operação fundamental para o reforço dos capitais próprios do banco".

Daí, a 'holding' angolana enviou uma carta aos presidentes das comissões executivas do BPI, BCP e CaixaBank, propondo criar o maior banco privado português (BPI+BCP) com interesses em Angola, Moçambique e Polónia, mas com um núcleo acionista centrado em Portugal.

Esta proposta de Isabel dos Santos, que detém 18,6% do BPI, choca com os interesses da OPA ao BPI dos espanhóis do CaixaBank, que querem a integração ibérica dos dois bancos.

A 17 de fevereiro o CaixaBank anunciou a intenção de lançar uma OPA sobre os 55,9% do capital do BPI que ainda não detém, mas enumerando duas condições: conseguir pelo menos 50,01% do banco português e obter o desbloqueio dos direitos de voto no BPI, que lhe estão limitados a 20%. 

Ou seja, o banco catalão ofereceu 1,329 euros por cada ação do BPI para obter pelo menos mais 5,9% do capital do banco português, mas tem de conseguir três quartos dos votos (75%) na assembleia-geral de acionistas do BPI a favor da desblindagem dos estatutos. Nessa votação, o CaixaBank ainda votará com 20% dos votos.


Lusa

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