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Autoeuropa altera produção para 'contornar' incêndio na fábrica do Carregado

A Volkswagen Autoeuropa, em Palmela, vai ser obrigada a alterar a sua produção diária de automóveis devido ao incêndio ocorrido na terça-feira na fábrica de componentes automóveis Dura Automotive, no Carregado, anunciou a empresa.

MIGUEL A. LOPES (Lusa)

Em comunicado, a empresa refere que, "como medida preventiva, e de modo a minimizar o impacto na atividade da Volkswagen Autoeuropa, foi alterado o 'mix' diário de produção, de forma a produzir em maior quantidade os modelos Eos e Scirocco, menos impactados com esta situação". 

A Dura Automotive é uma das fábricas fornecedoras de componentes que abastece a Autoeuropa, produzindo componentes em vidro e plástico para os modelos monovolumes Volkswagen Sharan e Seat Alhambra. 

"Esta empresa é fornecedora da Volkswagen Autoeuropa, sendo responsável pela produção de componentes destinados aos modelos Sharan, Eos e Seat Alhambra", diz o comunicado, acrescentando que, apesar do incêndio ocorrido, "a produção da Volkswagen Autoeuropa ainda não foi afetada". 

Assim, de modo a aferir perturbações futuras na sua atividade, a Volkswagen Autoeuropa ressalta que já tem uma equipa de avaliação técnica no local.

A Dura Automotive Portugal anunciou hoje ter tido um prejuízo acima dos sete milhões de euros na sequência do incêndio na fábrica do Carregado, mas garantiu que os postos de trabalho estão todos salvaguardados.

Paulo Pacheco, diretor da fábrica de componentes para automóveis do Carregado, disse à agência Lusa que a empresa vai manter os 280 postos de trabalho, apesar do incêndio ocorrido na terça-feira à noite que destruiu por completo um dos dois pavilhões, onde trabalhavam 110 pessoas.

Em alternativa ao despedimento, o responsável adiantou que vai "aproveitar para dar férias e horas por gozar a alguns trabalhadores", enquanto outros vão ser transferidos para as secções que laboram no outro pavilhão que a fábrica tem no Carregado, concelho de Alenquer.

"A fábrica não vai parar. O pavilhão 01 já está a trabalhar normalmente", disse, adiantando que a empresa tenciona mudar "rapidamente" para as novas instalações que estão a ser construídas dentro do complexo industrial do Grupo Salvador Caetano, de modo a minimizar eventuais efeitos do incêndio na produção.

Numa primeira avaliação aos estragos, uma vez que os peritos continuam no local a fazer esse levantamento, Paulo Pacheco afirmou que os prejuízos estão "acima dos sete ou oito milhões de euros no mínimo".

O incêndio destruiu de forma parcial também a Caetano Coatings, outra fábrica de componentes para automóveis, situada no mesmo complexo industrial.

Um problema numa máquina da secção de pinturas da fábrica Caetano Coatings terá causado o incêndio cerca das 19:20 de terça-feira, sendo o curto-circuito uma das possíveis causas apontadas.

Devido ao material inflamável, o incêndio alastrou à fábrica Dura Automotive Portugal, destruindo por completo as secções de montagem e de pintura de ambas.

O incêndio ficou controlado passadas três horas e só cerca das 00:15 entrou em fase de rescaldo, tendo mobilizado 140 bombeiros e 39 veículos de 14 corporações do distrito de Lisboa.

Esta foi a segunda vez em seis meses que a fábrica da Dura Automotive Portugal, no Carregado, foi atingida pelo fogo.



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