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Granadeiro diz ser apenas responsável por 200 M€ de investimento na Rioforte

O antigo presidente da Portugal Telecom (PT) Henrique Granadeiro disse hoje no parlamento ser responsável apenas por um investimento de 200 milhões de euros da PT SGPS na Rioforte, num total de 897 milhões de euros.

JO\303\203O RELVAS (Lusa)

Desse investimento de 897 milhões, sublinhou Granadeiro na comissão de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), 200 foram por si decididos enquanto presidente executivo da PT SGPS e os restantes 697 milhões de investimento em dívida da Rioforte, 'holding' do GES, terão sido conduzidos por "outros".

"Na minha convicção foram decididos no âmbito da PT Portugal", disse, em resposta a pergunta da deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua, frisando que em comum entre a PT SGPS e a PT Portugal havia o administrador financeiro, Luís Pacheco de Melo, que será ouvido na quinta-feira na comissão de inquérito.

Entre 15 e 17 de abril de 2014, a PT SGPS e a PT Finance renovaram as aplicações na Rioforte no valor de 897 milhões de euros, valor que nunca chegou a ser reembolsado, o que teve consequências no processo de fusão da PT com a brasileira Oi.

Na ocasião, a PT Portugal tinha Zeinal Bava como presidente executivo, que acumulava com a presidência executiva da Oi, e Pacheco de Melo como administrador financeiro.

O investimento na Rioforte teve intervenção certamente do administrador financeiro ou "até de alguém abaixo" de si nesse departamento, acredita Granadeiro, que assume responsabilidade apenas pelo montante saído da PT SGPS, 200 milhões de euros do total de 897 milhões. 

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo "apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades".

 

Lusa
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