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Grécia vai usar arquivos do exército nazi para solicitar indemnização alemã

A Grécia vai usar documentos militares nazis para pressionar a Alemanha a pagar as reparações de guerra relativas ao período da ocupação, revelou hoje o Ministério da Defesa do executivo de Atenas.

(Reuters/ Arquivo)

(Reuters/ Arquivo)

© Yannis Behrakis / Reuters

"Este arquivo contém mais de 400.000 páginas... e será usado para apoiar a exigência grega de que a Alemanha cumpra as suas obrigações relativas ao período 1941-44", sublinhou o ministro-adjunto da Defesa, Kostas Isichos.

De acordo com o governante, que afirma ter obtido o acervo junto de arquivos norte-americanos, estes papéis "não apenas fundamentam a verdade histórica - eles são os documentos da própria Wehrmacht (Forças Armadas do III Reich), a força de ocupação".

Entre os documentos estão "diários, relatórios dos oficiais aos seus superiores, que não foram escritos como publicidade, antes constituindo sobretudo documentos secretos", acrescentou.

Perante a resistência da Alemanha aos pedidos de renegociação do resgate, o novo Governo grego intensificou a pressão sobre Berlim no que respeita à controversa questão das reparações de guerra.

O ministro da Justiça grego revelou esta semana que vai ativar uma decisão do Supremo Tribunal Grego com 15 anos que autoriza a apreensão de bens alemães para pagar por danos de guerra.

Por seu lado, o Parlamento grego aprovou uma moção para reativar uma comissão dedicada a investigar indemnizações de guerra, o reembolso de um empréstimo de guerra forçado e a devolução de relíquias arqueológicas apreendidas pelas forças de ocupação alemãs.

Berlim argumenta que as indemnizações à Grécia foram liquidadas em 1960, no âmbito de um acordo com vários governos europeus.

Atenas espera que os documentos da Wehrmact lancem mais luz sobre aspetos do período de ocupação, como a realização de escavações arqueológicas ilegais e a ocorrência de pilhagens, "a fim de reforçar, não envenenar" as relações entre os dois países, afirmou Isichos.

"As universidades, os intelectuais e o povo alemães estão convidados a juntar-se a nós na descoberta deste tesouro histórico para fechar esta ferida aberta", concluiu o governante.


Lusa