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Juros da dívida a cair em todos os prazos para novos mínimos

Os juros da dívida soberana portuguesa voltaram hoje a bater recordes mínimos. Estão a cair, mais uma vez, em todos os prazos e para os valores mais baixos de sempre.

(Reuters/Arquivo)

Hoje, cerca das 08:55 em Lisboa, os juros da dívida portuguesa a dez anos estavam a descer para 1,519%, um mínimo de sempre, contra 1,560% na passada sexta-feira.

Os juros a cinco anos também estavam a cair, para 0,815%, um mínimo de sempre, contra 0,848% na sexta-feira. 

No mesmo sentido, os juros a dois anos estavam a recuar para 0,086%, um mínimo histórico, contra 0,114% no final da semana passada.

A 09 de março passado, o Banco Central Europeu (BCE) arrancou com um programa sem precedentes de compra de dívidas soberanas e privadas, que vai permitir injetar 60 mil milhões de euros por mês, até, pelo menos, setembro de 2016, na economia da zona euro na esperança de a redinamizar.        
O objetivo desta operação, denominada "Quantitative Easing" (QE), é criar um círculo virtuoso para a Economia: sob o efeito de uma forte procura as taxas de juro das obrigações deverão descer, forçando os bancos a aplicar o dinheiro noutros sítios, designadamente a conceder crédito às empresas e aos consumidores. 

Para os mercados, o QE marca uma mudança histórica da política monetária do BCE.  

Os bancos centrais nacionais, como o Bundesbank ou o Banco de Portugal, entre os outros dos Estados-membros, serão os principais executantes do QE, já que está previsto que façam 92% das compras. 

Os efeitos do programa fazem-se sentir por antecipação há várias semanas nas taxas de juro das dívidas soberanas, que evoluem em sentido inverso ao da procura e têm renovado mínimos diariamente. Algumas das taxas tornaram-se negatias nos prazos mais curtos, ou seja, os investidores estão dispostos a pagar para deter estes títulos considerados muito seguros.   

A 17 de maio de 2014, Portugal abandonou oficialmente o resgate sem qualquer programa cautelar.

O programa de ajustamento solicitado por Portugal à 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no valor de 78 mil milhões de euros, esteve em vigor durante cerca de três anos.

Os juros da dívida soberana da Irlanda estavam a subir a cinco e dez anos, enquanto os juros de Itália estavam a subir a dois anos e a cair nos prazos mais longos. Os juros de Espanha estavam a cair a dois anos e a subir a cinco e dez anos. 

Em relação aos juros da Grécia, estes estavam a subir a cinco anos e a descer a dez, para valores em torno dos 15,4% e de 10,7%, respetivamente.


Lusa
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