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TAP surpreendida com marcação de greve que poderá ter impacto superior a 70 milhões

A TAP manifestou-se esta quarta-feira surpreendida com a decisão do Sindicato dos Pilotos de uma greve de 10 dias e o "impacto brutal" que esta poderá impor à companhia, calculando um prejuízo superior a 70 milhões de euros.

(Arquivo)

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Francisco Seco / AP

"A TAP tem estado sempre em negociações, nunca abandonou a mesa das negociações e foi surpreendida com a decisão do Sindicato dos Pilotos de aprovar uma greve de 10 dias, com início a 01 de maio deste ano", disse hoje à agência Lusa fonte oficial da transportadora aérea, lembrando que foi informada da decisão, mas que ainda não recebeu qualquer pré-aviso.

Uma eventual greve de 10 dias terá "um impacto brutal" para a TAP, avaliada em pelo menos 70 milhões de euros, a que acrescem valores "não quantificáveis", que têm a ver com a "confiança do mercado, montante que não é quantificável", destacou a mesma fonte.

A empresa considera que a posição hoje assumida pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) "é altamente lesiva para a TAP e para a Economia portuguesa e vem ao arrepio do que estava acordado" com o sindicato dos pilotos.

A transportadora aérea manifesta a esperança de que "o bom senso" pervaleça nesta questão da greve, em relação à posição assumida pelo sindicato.

"A TAP tem estado sempre em negociações, nunca abandonou a mesa das negociações e foi surpreendida com a decisão do Sindicato dos Pilotos em aprovarem uma greve de 10 dias", disse hoje à Lusa a mesma fonte.

No comunicado hoje divulgado com a decisão da greve, com 30 pontos, o Sindicato dos Pilotos afirma que, "em consequência de decisão prévia do Tribunal Arbitral, em 10 de janeiro de 1999, foi livremente e de boa-fé celebrado um acordo, que (...) declara que a TAP e o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) que do acordo de empresa agora celebrado resultarão ganhos de produtividade para a empresa, prescindindo os pilotos nessa celebração de determinadas vantagens e benefícios, tendo em conta sobretudo o interesse empresarial que os envolve".

Nesse contexto, o sindicato diz que "(...) a TAP e o SPAC admitem que a participação  no capital social da futura sociedade  de transportes  aéreo por parte dos pilotos se possa situar, indicativamente, entre 10% e 20% do respetivo capital social (...)".

Nas declarações posteriores à Lusa, a fonte oficial da TAP explicou que durante a ronda de negociações com a plataforma de sindicatos, que inclui o SPAC, "nunca esteve em discussão pela TAP" aquela questão e que esta "não é da sua competência, é uma questão que compete ao Governo", pelo que a marcação da greve com base neste pressuposto "é uma surpresa".

Fonte da TAP disse ainda à agência Lusa que "a Procuradoria-Geral da República considerou que não existe fundamentação legal" para a pretensão do Sindicato dos Pilotos.

"Na ronda de negociações com a plataforma de sindicatos, que inclui o SPAC, não esteve em cima da mesa a participação no capital social da futura sociedade de transportes aéreo por parte dos pilotos", salientou a fonte da transportadora.

A mesma fonte da TAP disse ainda à Lusa esperar que "o bom-senso por parte do Sindicato dos Piloto prevaleça" e que se tenha também em conta o que afirmou hoje o presidente da Confederação do Turismo de Português, Francisco Calheiros, que alertou para o impacto da greve no setor, que neste momento é um dos motores da recuperação da economia portuguesa.
Lusa
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