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Catarina Martins condena "fanatismo ideológico" no Eurogrupo

A porta-voz do BE condenou hoje a "intransigência" e o "fanatismo ideológico" do Eurogrupo para com a Grécia, ao comentar o afastamento do ministro grego das Finanças das negociações com as instituições parceiras.

FERNANDO VELUDO

"Tudo o que tem existido do outro lado é intransigência, fanatismo ideológico. Registo que no Eurogrupo, nos 18 governos que se têm oposto, 13 têm a presença ou estão em coligação com partidos sociais-democratas ou socialistas. Vemos como tem existido esta barragem a uma alternativa", lamentou Catarina Martins, após uma encontro com a Ordem dos Médicos, em Lisboa.

A reunião tinha em vista o debate parlamentar de urgência requerido pelos bloquistas para 07 de maio sobre a "situação da Saúde em Portugal" e a dirigente do BE citou declarações recentes de Yanis Varoufakis a convidar os homólogos continentais a visitar as urgências hospitalares helénicas, aproveitando assim para alertar para o colapso do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Como dizia o ministro grego das Finanças, talvez não fosse mau convidar os ministros das Finanças do Eurogrupo a visitar as urgências do seu país. Bem sei que a situação em Portugal não é tão grave como na Grécia, não é comparável, mas não seria mau também perguntar se, em Portugal, os ministros das Finanças iriam às urgências do Serviço Nacional de Saúde", disse.

Ainda sobre a situação grega, para a deputada bloquista, "tem existido uma chantagem enorme por parte do Eurogrupo e do Conselho Europeu contra a possibilidade de um Governo fazer aquele que é o mandato que lhe deu o seu povo, uma política diferente da austeridade" e "a Grécia não pede o paraíso na Terra", mas apenas cumprir o prometido durante a campanha eleitoral -- 'não cortar mais as pensões'".

Relativamente ao contexto português, Catarina Martins sublinhou que "hoje, o descaso entre os números que o Governo apresenta da Saúde e a realidade concreta que as pessoas vivem quando recorrem ao SNS, mostram que o problema é grave e tem de ser debatido".

"Tivemos um secretário de Estado da Saúde a dizer, face ao colapso visível, que considerava que as urgências funcionavam bem e as pessoas estavam bem instaladas. De lá até cá, o Governo não disse mais uma palavra. Não vimos o ministro da Saúde ou o primeiro-ministro virem a público reconhecer o problema. Silêncio absoluto, quando vivemos um problema grave de as pessoas não saberem se podem confiar nas urgências", lamentou.



Lusa
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