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FMI destaca dificuldades dos bancos portugueses em voltar aos lucros

O sistema bancário português "está a recuperar gradualmente, mas o retorno aos lucros está ainda difícil de conseguir", refere o Fundo Monetário Internacional (FMI) num documento divulgado esta segunda-feira.

Numa análise a Portugal ao abrigo do artigo IV, o FMI adianta que a banca portuguesa tem ainda vários problemas com imparidades, sendo que, com as taxas de juro a caírem, a rentabilidade financeira das operações pode dificultar a recuperação do sistema. (Arquivo)

Numa análise a Portugal ao abrigo do artigo IV, o FMI adianta que a banca portuguesa tem ainda vários problemas com imparidades, sendo que, com as taxas de juro a caírem, a rentabilidade financeira das operações pode dificultar a recuperação do sistema. (Arquivo)

© Hugo Correia / Reuters

Numa análise a Portugal ao abrigo do artigo IV, o FMI adianta que a banca portuguesa tem ainda vários problemas com imparidades, sendo que, com as taxas de juro a caírem, a rentabilidade financeira das operações pode dificultar a recuperação do sistema. 

"O capital dos bancos diminuiu em 2014, com o rácio médio de 'core tier 1' (que mede a saúde financeira das instituições) a cair 0,5 pontos percentuais, para 11,4%", refere o documento, acrescentando que "o rácio de crédito-depósitos tem vindo a diminuir de forma constante", o que permitiu aos bancos reduzir a sua "dependência de operações de refinanciamento" junto do Banco Central Europeu. 

Preocupante, diz o FMI, é que o 'stock' de crédito malparado "continuou a subir, um reflexo de um lento progresso em direção a balanços saudáveis das empresas".

Em termos globais, o FMI considera que as atuais operações financeiras "não têm sido suficientes para compensar as perdas", em que os bancos são obrigados a assumir imparidades e a constituir provisões "com altos custos operacionais". 

Para a instituição internacional que integrou a 'troika', "a eliminação do excesso de dívida corporativa, é essencial para a recuperação de Portugal", alertando que uma "má alocação de crédito" enfraqueceria ainda mais a recuperação, pelo que uma "desalavancagem bem-sucedida iria reverter essa dinâmica, permitindo aos bancos realocar recursos para empresas viáveis".

O FMI considera que os bancos "devem aproveitar o atual ambiente económico e financeiro "para combater o excesso de dívida corporativa", além de que os acionistas devem capitalizar as instituições, "aumentar as provisões e acelerar o ritmo de 'write-off' [retirar do balanço perdas irrecuperáveis]". Tal situação, observa o FMI, "abriria espaço para novos empréstimos e reduziria os riscos financeiros que favoreçam o crescimento".

A instituição liderada por Christine Lagarde frisa que as perspetivas do sistema bancário são favoráveis, com uma boa liquidez global e uma noção de aversão ao risco positiva.

No entanto, o FMI diz que tal pode mudar se acontecerem situações como "qualquer volatilidade associada a turbulência no nível da zona euro", uma vez que tanto o setor privado como público "estão altamente expostos a estes riscos". 

Além disso, as exportações e os investimentos em Angola "poderão sofrer mais do que esperado, devendo as perspetivas de crescimento destes últimos deteriorar-se devido aos baixos preços do petróleo". 

Mesmo assim, a perspetiva de médio prazo é positiva porque a "competitividade externa de Portugal melhorou", provocando um crescimento da economia mais rápido, "impulsionado pelo investimento, o crescente 'stock' de capital humano e a força contínua da procura externa", segundo o FMI. 

Assim, os bancos devem aproveitar e "criar condições favoráveis" para a recuperação dos seus balanços.
Lusa
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