sicnot

Perfil

Economia

Governo "frontalmente contra" relatório do FMI

A ministra das Finanças afirmou hoje que o Governo é "frontalmente contra" vários aspetos do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) conhecido na segunda-feira, considerando que apresenta "uma perspetiva muito enviesada" sobre esses assuntos.

© Rafael Marchante / Reuters

"O relatório do FMI tem uma perspetiva muito enviesada relativamente a uma série de matérias, com as quais frontalmente não concordamos. Muitas das visões são influenciadas por uma avaliação incorreta da realidade e [leva a uma] extrapolação de conclusões que o Governo não pode subscrever", afirmou hoje Maria Luís Albuquerque, na última audição regimental da legislatura na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública. 

Na segunda-feira, o FMI divulgou um relatório sobre Portugal ao abrigo do artigo IV, alertando que o crescimento económico pode estar comprometido pela fraca implementação de reformas estruturais e que permanecem riscos orçamentais, recomendando uma série de medidas, nomeadamente na área das pensões e no mercado de trabalho.

Entre as medidas sugeridas pelo Fundo está a suspensão das reformas antecipadas nos setores públicos e privado, o aumento das contribuições para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), a redução do número de funcionários públicos e a limitação dos aumentos salariais automáticos e da progressão na carreira, entre outras.

Sem referir que medidas merecem a discordância do Governo, Maria Luís Albuquerque comparou este relatório com as avaliações do FMI durante o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro: "A grande diferença é que nós hoje podemos discordar, porque conquistámos esse direito. Respeitamos, ouvimos, discutimos, mas temos o direito de discordar", disse.

O denominado artigo IV do FMI prevê que sejam feitas análises às economias dos membros do Fundo, geralmente todos os anos. A missão técnica do FMI esteve em Lisboa em março. 


  • FMI diz que aumento de 3,3% da eletricidade prejudica as famílias

    Economia

    O FMI acusa o Governo português de prejudicar as famílias ao permitir um aumento de 3,3% na electricidade. O relatório sobre as medidas tomadas depois do fecho do programa de assistência diz claramente que o Governo abandonou a regra de aumentos de apenas 1,5% sobre a inflação, que estava combinada com a troika.

  • FMI defende que preciso investimento público para "puxar" pelos privados

    Economia

    O FMI considera que é necessário mais investimento público em infraestruturas para puxar pelo investimento privado. No relatório de primavera o Fundo analisa as causas da quebra do investimento que se registou na maioria das economias mundiais nos últimos anos  e conclui que é sobretudo  o resultado de uma actividade económica muito fraca. No caso de Portugal, o fundo diz que o investimento registou, nos últimos sete anos, um investimento privado  30% mais baixo do que o próprio FMI previa. Portugal é um dos países em que a quebra foi mais acentuada, depois da Grécia, Irlanda e Espanha. 

  • José Oliveira Costa, o rosto do buraco financeiro do BPN
    3:04

    País

    José Oliveira Costa foi o homem forte do BPN durante 10 anos e tornou-se o rosto do gigantesco buraco financeiro. Manteve-se em silêncio durante todo o julgamento, mas falou aos deputados da comissão de inquérito, para negar qualquer envolvimento no escândalo que fez ruir o BPN.

  • O fim do julgamento do caso BPN, seis anos depois
    2:26

    País

    O antigo presidente do BPN José Oliveira Costa tentou adiar o fim do julgamento principal do caso com um recurso para o Tribunal Constitucional. Apesar disso, a leitura do acórdão continua marcada para esta quarta-feira, quase seis anos e meio depois de os 15 arguidos se terem sentado pela primeira vez no banco dos réus.

  • Saída do Procedimento por Défice Excessivo marca debate no Parlamento
    1:40
  • Donald Trump já está no Vaticano 
    1:32