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Ministra indonésia em Lisboa para procurar uma resposta global à pesca ilegal

A ministra dos Assuntos Marinhos e das Pescas da Indonésia, Susi Padjiastuti, inicia hoje uma visita de três dias a Portugal para participar na Semana Azul, onde quer ver debatida uma resposta internacional à pesca ilícita.

reuters

Portugal acolhe, esta semana, a primeira edição da Semana Azul, que inclui uma reunião de ministros e membros de governo responsáveis pelo mar, a terceira edição da Cimeira Mundial dos Oceanos, organizada pela revista "The Economist", e o "Blue Business Forum", a cargo da Fundação AIP.  

Susi Padjiastuti, que será uma das oradoras na cimeira, espera partilhar a experiência indonésia no setor das pescas e reunir os países e as organizações presentes sob "uma abordagem comum para combater" a pesca ilegal. 

"É uma ameaça à sustentabilidade do abastecimento alimentar no mundo. Um mundo, um oceano", justificou a governante do maior arquipélago do globo em entrevista à agência Lusa. 

Segundo a ministra, entre 2003 e 2013 a Indonésia registou "uma diminuição do número de pescadores de 1,6 milhões para apenas 860 mil" e 115 exportadores do país encontram-se na falência.

A pesca ilegal, que envolve uma rede internacional com "um sistema marítimo muito sofisticado", está a prejudicar os pescadores indonésios e constitui também "uma ameaça à sustentabilidade do abastecimento alimentar", alertou.

Susi Padjiastuti - uma das figuras mais populares de um executivo que tem perdido bastante popularidade em perto de oito meses de governação - tomou decisões controversas, como a destruição de dezenas de pesqueiros estrangeiros, alegando que os barcos foram apanhados a pescar ilegalmente em águas indonésias.

A responsável pelos assuntos do mar num país com mais de 17.500 ilhas fez ainda menção ao "tráfico humano e à escravatura" relacionados com a pesca ilegal, dois meses após a Associated Press ter noticiado casos de escravatura nos barcos que trabalham em águas indonésias.

Também nas últimas semanas, e na sequência de a Tailândia ter tomado medidas contra as máfias de tráfico humano, a Indonésia e a Malásia acolheram pelo menos 3.000 imigrantes que se encontravam à deriva em alto mar, sob o compromisso de que a comunidade internacional resolva a sua situação no espaço de um ano.

Perante este cenário, a governante considera que é altura de discutir a "civilização moderna" e a "ganância da industrialização, que tem deixado um grande número de nações e pessoas muito para trás".

Um dos temas que a ministra quer abordar em Portugal é a redução das tarifas de importação impostas às exportações indonésias nos mercados europeu e norte-americano.

"Nós ajudamos a reprimir o tráfico humano e gostaríamos de obter a recompensa de tornar a Indonésia livre de qualquer tarifa de importação, porque agora a União Europeia e os Estados Unidos cobram-nos creio que de 14 a 22 por cento", defendeu.

Na quarta-feira à tarde, a governante indonésia tem prevista uma reunião com a homóloga portuguesa, Assunção Cristas.

A aposta no mar é uma das grandes linhas mestras do programa do Presidente indonésio Joko Widodo e, apesar de o governo não reservar espaço para os estrangeiros na área das pescas propriamente dita, está à procura de parcerias para atividades relacionadas com as atividades marítimas.

"Estamos abertos a estaleiros. Eles [investidores] são bem-vindos e eu vou dar-lhes o que for permitido", como o não-pagamento de impostos durante "muitos anos", exemplificou.



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