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Banco de Portugal revê em alta procura interna e exportações mas mantém PIB

As exportações e a procura interna vão ser os dois motores do crescimento português, de acordo com o Banco de Portugal. O mais recente boletim económico do supervisor mostra uma aceleração nas duas rubricas até 2017. De resto, mantém as previsões para o PIB, que  deverá subir 1,7% este ano, 1,9% no próximo e 2% em 2017.

© Jose Manuel Ribeiro / Reuters

No boletim económico, hoje divulgado, o Banco de Portugal confirmou as suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) português divulgadas em março, alterando no entanto a sua previsão para a composição do produto.

Este crescimento de 1,7% este ano, de 1,9% em 2016 e de 2% em 2017, previsto pelo Banco de Portugal, "assentará no crescimento robusto das exportações e na procura interna".

A instituição liderada por Carlos Costa prevê que as exportações cresçam 4,8% este ano, acelerando o ritmo de crescimento para os 6% em 2016 e para os 6,4% em 2017, estimativas que são mais otimistas do que as que o banco central avançou em março.

De acordo com o banco central, "a aceleração das exportações em 2015 reflete a evolução da procura externa e ganhos de competitividade-preço, num contexto de forte depreciação do euro" destacando no entanto que "estes ganhos de competitividade são compensados pela forte redução das exportações para Angola".

Já para os dois anos seguintes, "a evolução das exportações deverá refletir a trajetória de aceleração da procura externa, antecipando-se um ligeiro aumento da quota de mercado decorrente da melhoria da competitividade-preço associada nomeadamente à depreciação da taxa de câmbio efetiva do euro".

De acordo com as estimativas do Banco de Portugal, o peso das exportações no PIB em termos reais "deverá aumentar 14 pontos percentuais entre 2008 e 2017, situando-se em cerca de 46% no final do horizonte de projeção".

Já quanto às projeções para a procura interna, o Banco de Portugal reviu ligeiramente em alta a sua previsão para 2015 e manteve-a praticamente inalterada para os dois anos seguintes, esperando que a procura interna aumente 2,1% este ano, 1,8% no próximo e 2,1% em 2017.

O Banco de Portugal antecipa, assim, um "crescimento moderado do PIB" ao longo do horizonte das projeções, esperando que haja "um aumento gradual da taxa de crescimento" até 2017, ano em que o nível do PIB de Portugal deverá estar próximo do registado em 2008.

"No final do horizonte de projeção o nível do PIB deverá situar-se próximo do observado antes do início da crise financeira internacional", lê-se no boletim económico, que acrescenta que esta evolução "traduz uma recomposição significativa da estrutura da despesa no sentido de uma crescente orientação de recursos produtivos para setores com maior exposição à concorrência internacional".

Quanto à inflação, o Banco de Portugal prevê que a taxa de inflação se situe nos 0,5% este ano, nos 1,2% no próximo e nos 1,3% em 2017, melhorando as projeções de março, em que tinha apontado para taxas de inflação de 0,2% em 2015 e de 1,1% nos dois anos seguintes.

A instituição liderada por Carlos Costa considera que os riscos que se colocam à projeção da atividade económica estão globalmente equilibrados, mas que os riscos relacionados com a inflação estão "ligeiramente descendentes".

O banco central aponta como riscos descendentes à evolução da atividade económica a possibilidade de haver uma recuperação mais moderada da economia mundial e a necessidade de adotar medidas de consolidação orçamentais adicionais e como riscos ascendentes o impacto favorável das reformas em curso e das medidas europeias de incentivo ao investimento, bem como a necessidade de aumentar a capacidade produtiva em algumas empresas.

O Banco de Portugal recomenda ainda que "a economia portuguesa deverá prosseguir o processo de ajustamento em curso, com aumentos sustentáveis do consumo, com um crescimento do investimento que assegure a renovação do capital e com níveis de endividamento progressivamente menores".

Além disso, a instituição de Carlos Costa reitera um aviso que tem vindo a fazer, insistindo na necessidade de realizar reformas estruturais.

"O sucesso da economia portuguesa dependerá sobretudo da capacidade para aumentar a quantidade e qualidade dos recursos produtivos, da prossecução de reformas estruturais que promovam de forma sustentada e equitativa o crescimento económico, bem como de uma condução das políticas económicas que preserve os equilíbrios macroeconómicos fundamentais", lê-se no boletim económico, sublinhando que "o atual enquadramento internacional favorável representa uma boa oportunidade para aprofundar esta agenda em Portugal".

O banco central indica que as projeções hoje divulgadas estão próximas das divulgadas pelo Banco Central Europeu (BCE) para a área do euro e têm em consideração a manutenção do ajustamento de alguns desequilíbrios da economia portuguesa.

As previsões de crescimento do Banco de Portugal são ligeiramente mais otimistas do que a do Governo para 2015, antecipando o executivo um crescimento de 1,6% este ano, mas são mais pessimistas para os dois anos seguintes, uma vez que o Governo prevê que o produto aumente 2% já em 2016 e 2,4% em 2017.


Com Lusa
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