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Angolana Santoro diz que oferta do CaixaBank sobre BPI "morreu"

A Santoro, da angolana Isabel dos Santos, considera que a OPA do CaixaBank sobre o BPI "morreu" com o chumbo de hoje dos acionistas à desblindagem dos estatutos, reiterando-se empenhada na fusão do banco com o Millenium BCP.

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"Nós nunca escondemos que gostaríamos de ter uma outra solução, uma solução mais inclusiva, que criasse um líder de mercado que passa pela fusão entre o Millenium BCP e o BPI. Mas é algo que não é o momento para discutirmos hoje, é algo para se ver a seu tempo", afirmou o presidente do Conselho de Administração da Santoro Finance, Mário Silva, em declarações aos jornalistas no final da assembleia-geral do banco português, que decorreu no Porto.

Assegurando que "a Santoro continua comprometida a dialogar com todos os acionistas" e "a construir a melhor solução para o futuro do BPI, que preserve a estabilidade financeira da instituição e que vá de encontro a todos os objetivos dos acionistas", Mário Silva remeteu, contudo, esta discussão para o "momento adequado".

"Não me vou pronunciar [sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA)]. Temos que aguardar, há várias opções ainda possíveis, portanto vamos tranquilamente continuar a seguir o processo", disse.

No entanto, quando questionado pelos jornalistas sobre se a OPA, nas condições atuais, "morreu", o empresário admitiu que sim, "morreu", porque "não reúne as condições que foram enunciadas à partida para ter sucesso".

E acrescentou: "Nós desde o início que fizemos fazer que, nos termos em que a OPA foi inicialmente apresentada ao mercado, não contaria com o nosso apoio e, portanto, penso que estamos a ser totalmente consistentes com aquilo que sempre dissemos desde o início".

O presidente da Santoro tem vindo a apresentar a fusão com o BCP como "uma alternativa viável" à OPA, tratando-se de uma solução geradora de valor para os acionistas dos dois bancos ao permitir criar "o maior banco português, com posições de referência em três mercados de extremo potencial - Angola, Moçambique e Polónia".

O CaixaBank lançou a 17 de fevereiro uma OPA sobre a totalidade do capital do BPI a 1,329 euros por ação. Duas semanas depois, a angolana Isabel dos Santos avançou uma proposta alternativa de fusão entre o BPI e o BCP, que permitiria criar a maior entidade bancária portuguesa.

Hoje reunidos em reunião magna, os acionistas do BPI decidiram chumbar a desblindagem dos direitos de voto a 20% no banco, que era uma condição essencial para o sucesso da OPA.

Esta alteração dos estatutos do BPI teria de ser aprovada por 75% do capital presente em assembleia, o que significa que Isabel dos Santos, que tem 19% do capital, conseguiu vetar a desblindagem, "matando" a OPA ou forçando uma revisão dos seus termos.

Segundo um comunicado do banco, a proposta de desblindagem dos estatutos "obteve votos a favor de apenas 52,45%", pelo que as "alterações não foram aprovadas".

Na assembleia-geral de hoje foram retomados os trabalhados iniciados a 29 de abril passado e que haviam sido suspensos para permitir que, entretanto, a OPA do CaixaBank fosse registada e os acionistas ficassem na posse todos os elementos sobre a operação, o que, contudo, acabou por não acontecer, por não terem ainda sido emitidas todas as autorizações necessárias para publicação do prospeto da operação.


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