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Deputado do PSD diz que Syriza é a "cirrose da Europa"

O deputado do PSD João Figueiredo disse esta quarta-feira que o partido grego Syriza é a "cirrose da Europa", comparando propostas do Bloco de Esquerda (BE) na área social a "parte do programa" do atual Governo de Atenas.

O ministro das Finanças e o primeiro-ministro gregos, Yannis Varoufakis e Alexis Tsipras (E-D).

O ministro das Finanças e o primeiro-ministro gregos, Yannis Varoufakis e Alexis Tsipras (E-D).

© Alkis Konstantinidis / Reuter

Num debate potestativo no Parlamento convocado para hoje pelo BE, e dedicado à emergência social, o deputado social-democrata João Figueiredo dirigiu-se à porta-voz do Bloco, Catarina Martins, para a questionar sobre a sua presença na campanha do Syriza na Grécia.

"É ou não uma parte do programa do Syriza?", interrogou o parlamentar, questionando a bloquista sobre se alguns dos temas hoje trazidos a debate foram também levados a discussão em Atenas.

E prosseguiu: "E foi ou não implementado [o programa do Syriza na área social]? Sabemos que não. E sabemos porquê". 

A austeridade, prosseguiu o deputado do PSD, "não foi uma opção deste Governo", antes uma "inevitabilidade em função da herança desgraçada" do PS.

"Onde vão buscar o dinheiro?", perguntou ainda a Catarina Martins, declarando depois que o Syriza é a "cirrose da Europa" e a "desgraça dos gregos intoxicou" o projeto europeu.

Na resposta, a porta-voz do BE diz ter no Syriza um "exemplo de quem na Europa está a tentar defender um país".

Entre o povo helénico "há três milhões de pessoas sem acesso à saúde", e por essas pessoas "lá está" o Syriza "a lutar", vincou a parlamentar bloquista, que arrancou o debate esta tarde pelas 15:00.

"Peça desculpa por aquilo que os seus amigos fizeram na Grécia", disse a bloquista ao deputado do PSD, referindo-se a anteriores executivos helénicos.

A Grécia atravessa atualmente um período conturbado ao nível das contas públicas, não tendo ainda chegado a acordo com os credores internacionais mesmo com cerca de quatro meses de negociações já volvidos com o Governo do Syriza liderado por Alexis Tsipras.

Para o BE, "nenhuma história acaba bem se as pessoas ficarem para trás", e o partido quer respostas às pessoas "em nome da dignidade e dos direitos humanos".

"O desafio que o BE aqui vos faz é responder agora a quem perdeu tudo. O compromisso é não desistir do país. Não desistir das pessoas. Não permitir a terraplanagem dos mais básicos direitos e condições de vida. Esse é o compromisso que o país precisa", sublinhou Catarina Martins.

A lei proposta pelo BE pretende criar, por exemplo, um Observatório Permanente da Pobreza, institui o aumento do salário mínimo nacional, altera os valores de IVA de alguns bens e suspende as atualizações de renda ao abrigo do regime da renda apoiada.

O projeto de lei propõe também, por exemplo, a diminuição do prazo de garantia para poder aceder ao subsídio de desemprego - de 365 dias para 180 dias - e ao subsídio social de desemprego - de 180 dias para 90 dias.

O acesso à luz, eletricidade ou gás natural nunca devem ser cortados por "questões de carência económica", defende ainda o Bloco.
Lusa
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