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TAP rejeita acusações do SPAC e lamenta clima de "guerrilha" na empresa

A TAP rejeitou as acusações do Sindicato do Pessoal da Aviação Civil (SPAC) de suspender pilotos sem fundamentos, adiantando que existem apenas dois inquéritos a decorrer na companhia aérea. 

O sócio maioritário do consórcio, Humberto Pedrosa, nega que haja uma intenção prévia de vender aviões da TAP para arrecadar esse dinheiro.

O sócio maioritário do consórcio, Humberto Pedrosa, nega que haja uma intenção prévia de vender aviões da TAP para arrecadar esse dinheiro.

© Paulo Whitaker / Reuters

Fonte oficial da companhia aérea disse à Lusa que não se entende "este clima de guerrilha numa altura em que a empresa devia estar unida para melhorar o desempenho ao longo do ano", fator de que depende o encaixe financeiro do Estado com a operação de privatização. 

"Não há nenhum processo disciplinar em curso. Existem apenas dois inquéritos: um já conhecido [relativo ao piloto que foi consultor do SPAC] e um segundo, que abrange o piloto e co-piloto, com vista a averiguar se a proeficiência e segurança da operação foram acauteladas num voo realizado em junho", adiantou a mesma fonte, que se recusou a dar mais informações sobre o caso. 

O SPAC acusa a TAP de suspender mais pilotos sem fundamentos, considerando que os profissionais estão a ser penalizados por aderirem à greve e por serem próximos do SPAC. 

"Por essa mesma razão, não afastamos a possibilidade de convocar uma assembleia de empresa, para que os associados deliberem sobre a melhor forma de os pilotos atuarem caso a TAP não inverta a sua posição no relacionamento com os pilotos", avisa o SPAC, que garante que, apesar do período eleitoral que decorre, a direção continua em funções e está a acompanhar de perto todos os casos referidos. 

Na semana passada, o comandante Paulo Lino Rodrigues, consultor do SPAC desde 2008, foi suspenso pela TAP no âmbito de um inquérito que a companhia aérea instaurou para averiguar se este profissional violou as regras de ética e de segurança, no rescaldo da greve dos pilotos do passado mês de maio.

Na carta aos associados, a direção do SPAC informa que a TAP "continua a suspender pilotos, sem fundamentos e antes sequer dos processos estarem devidamente instruídos".  

"Os pilotos foram suspensos sem qualquer indicação dos motivos de segurança que se pretendem salvaguardar e tão pouco esta suspensão protege a imagem ou permite o equilíbrio psicológico ou emocional dos pilotos, estando a produzir precisamente os efeitos contrários", denuncia o SPAC, referindo-se a dois dos casos de suspensão nesta classe profissional. 

O SPAC considera que a suspensão de pilotos, que devia ser uma medida excecional, está a ser banalizada pela transportadora aérea nacional, adianta, realçando que "os denominadores comuns a estas suspensões infundadas" são "aderir à greve e a proximidade do SPAC". 

Na mesma carta, a direção do sindicato independente, cuja direção está em gestão, denunciou ainda que "um grupo bastante significativo de associados está a ser prejudicado profissionalmente por ter aderido à greve e que a empresa qualifica como 'quebra de lealdade'". 

O conselho de administração executivo da TAP abriu um inquérito e suspendeu preventivamente o comandante Paulo Lino Rodrigues, que terá desenvolvido diversas atividades no âmbito da declaração da greve de 10 dias na TAP e PGA, entre 01 e 10 de maio, "não compatíveis com a sua qualidade de trabalhador-tripulante". 

 No despacho, considera-se que o piloto "poderá ter posto em causa a segurança nos voos que comandou e poderá ter provocado alterações às suas escalas de serviço e poderá ter produzido declarações muito depreciativas contra esta empresa e seus gestores". 

"Face a tais indícios torna-se necessário averiguar a verdade dos factos para apuramento da eventual responsabilidade disciplinar, através do competente processo prévio de inquérito", refere. 

Lusa