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BCE não exclui saída da zona euro e atribui responsabilidade a Atenas

O Banco Central Europeu não exclui a saída da Grécia da zona euro e insiste que se ocorrer será da responsabilidade do Governo grego, que decidiu pôr fim às negociações, afirmou Benoît Coueuré, membro do conselho do BCE.  

reuters

 "A saída da Grécia da zona euro, que era uma hipótese teórica, já não pode infelizmente ser excluída", sublinhou numa entrevista hoje publicada pelo diário económico francês Le Echos.

Coeuré, que adiantou que "é o resultado do Governo grego", insistiu que tanto o BCE como as autoridades europeias querem que a Grécia continue na moeda única e que, por isso, fizeram a sua proposta na semana passada, que concretamente baixava as exigências em termos de excedente fiscal. 

"A decisão de interromper as negociações foi tomada pelas autoridades gregas. Surpreendeu-nos porque estávamos a terminar trocas intensas e bastantes frutuosas", afirmou. 

Coueuré mostrou-se convicto de que se os gregos votarem "sim" no referendo de 05 de julho, "as autoridades da zona euro encontrarão a maneira" de pôr em andamento um programa de ajuda, ainda que o atual expire hoje. 

O responsável do BCE reconheceu que o executivo de Alexis Tsipras tinha feito da reestruturação da dívida grega uma prioridade, mas alegou que desde 20 de fevereiro o Eurogrupo tinha advertido que este assunto só seria debatido numa segunda fase e que antes Atenas tinha de adotar "um programa de reformas credíveis". 

Em relação às possíveis consequências de uma saída da Grécia da moeda única, Coeuré admitiu que a turbulência nos mercados na segunda-feira demonstra que houve "um efeito surpresa" porque até quarta-feira não admitiam a rutura das negociações. 

Contudo, Coeuré considerou que a reação foi "relativamente moderada", demonstrando "até que ponto a Grécia é um caso único", "a resistência da zona euro aos choques externos" e que "as redes de segurança postas em funcionamento nos últimos anos cumpriram o seu papel". 

Em qualquer caso, Coeuré afirmou que é necessário manter "a vigilância". 

"Se houver riscos, estamos dispostos a utilizar os instrumentos de que dispomos" como o programa de compra massiva de títulos e mesmo "novos instrumentos no âmbito do nosso mandato", disse. 

 

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