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Negociações reabertas, teleconferência do Eurogrupo analisa proposta grega

As negociações entre a Grécia e as instituições europeias foram reabertas. Para as 18:00 está marcada uma reunião dos ministros das Finanças da zona euro por teleconferência. O governo de Atenas propõe agora um acordo por dois anos com o Mecanismo Europeu de Estabilidade que garanta o financiamento e volta a pedir a restruturação da divida. Se nada se alterar nas próximas horas, a Grécia vai falhar hoje o pagamento de 1,6 mil milhões de euros ao FMI.  

© Yannis Behrakis / Reuters

Se a Grécia falhar o pagamento de 1,6 mil milhões de euros já hoje, mas não é por isso que vai entrar em incumprimento ('default'), dizem as agências de 'rating'. 

As três maiores agências de notação financeira mundiais dizem que falhar o pagamento de 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional, cujo prazo termina esta noite, não constitui um 'default' porque esse termo, que é evitado a todo o custo em Washington, está reservado para o incumprimento nos pagamentos aos credores do setor privado. 

De acordo com a agência financeira Bloomberg, a chave para aferir se existe ou não um 'default' está no Banco Central Europeu, o mesmo que, apesar de estar a manter o sistema financeiro grego vivo com uma injeção de quase 90 mil milhões de euros, ainda não se pronunciou sobre o que significa e quais as consequências da falta de pagamento já anunciada pelo Governo de Atenas. 

Em declarações à agência de notícias Bloomberg, o economista-chefe da UniCredit considerou que a manutenção para além de hoje desta linha de financiamento de emergência (Emergency Liquidity Assistance - ELA, no original em inglês) aos bancos gregos "não será tomada sem cobertura política ao mais alto nível", leia-se dos responsáveis políticos da zona euro. 

De acordo com as regras do Banco Central Europeu (BCE), este financiamento está disponível para os bancos enquanto forem solventes e tiverem colateral adequado, não havendo uma obrigação explícita de a Grécia ter os pagamentos em dia ao FMI para os bancos continuarem a receber ajuda. 

Outra nota importante sobre a reação do BCE é a negociação que está em curso entre Bruxelas e o Governo grego, e o anúncio, ao princípio da tarde, de que Atenas pediu um terceiro resgate. 

O presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) que suporta a Grécia, Klaus Regling, disse ainda este mês que pode acelerar o pagamento de 130 mil milhões de euros à Grécia caso haja um atraso no pagamento ao FMI, por isso a Blomberg conclui que "o momento chave será quando a líder do FMI disser ao conselho de administração que a Grécia está atrasada no pagamento", o que acontecerá, já prometeu Christine Lagarde, rapidamente, provavelmente já na quarta-feira. 

Regling teria então de fazer uma recomendação ao conselho de administração do FEEF, composto pelos vice-ministros das Finanças da zona euro, explicou uma fonte comunitária à Bloomberg.

 

Com Lusa