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Carlos Costa quer que bancos mais expostos a empresas endividadas reforcem capital

O governador do Banco de Portugal defendeu hoje um reforço de capital dos bancos mais expostos a novas crises, apelando para que adotem "uma atitude ativa" sempre que forem ultrapassados níveis críticos de dependência financeira de uma empresa.

JO\303\203O RELVAS

No discurso de tomada de posse para um segundo mandato, no Ministério das Finanças, Carlos Costa anunciou a "agenda prioritária" para os próximos cinco anos, com sete grandes medidas.

Entre elas, está a continuação da desalavancagem controlada do setor empresarial não financeiro, "assente num aumento de capitais próprios das empresas" e numa "atitude ativa de gestão do risco de crédito sempre que ultrapassados níveis críticos de dependência financeira por parte de cada empresa".

Nesse sentido, o governador pretende "reforçar a capitalização dos bancos, para garantir adequada cobertura dos riscos a que estes estão ou poderão vir a estar expostos, nomeadamente em cenários económicos adversos", defendendo que "a capitalização necessária terá que ter em consideração a especificidade de cada instituição em termos de balanço, risco, modelo de negócio, e a capacidade dos acionistas para responder a um aumento de capital se necessário".

Carlos Costa defende ainda que durante o próximo mandato sejam adotados "mecanismos que previnam fenómenos de endividamento insustentável dos particulares e empresas" e "não alimentar níveis de procura insustentáveis que geralmente dão lugar a bolhas setoriais", nomeadamente nos setores da construção e promoção imobiliária.

"Pretende-se, desta forma, evitar ajustamentos dolorosos dos devedores, quebras significativas de procura, falências, desemprego e incobráveis no sistema financeiro", afirmou.

Entre as medidas está ainda a garantia da "sustentabilidade dos modelos de negócio dos bancos", a antecipação de movimentos de racionalização e consolidação do sistema bancário à escala europeia, o reforço do modelo de governo das instituições e a reafetação de recursos que "promova o crescimento sustentável do produto potencial e a geração de emprego".

"Mas não basta. Há que tirar lições das interdependências entre as instituições financeiras e entre estas e a área não financeira. É necessário adotar uma atitude proativa de salvaguarda da estabilidade financeira através do recurso a medidas macroprudenciais e de adaptações dos quadros legais, nomeadamente do regime fiscal", afirmou.

Lusa

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