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FMI prevê abrandamento gradual da economia espanhola até 2020

O FMI considera que o atual bom desempenho da economia de Espanha vai abrandar a partir de 2016, prevendo taxas de crescimento do PIB quase um ponto percentual abaixo das perspetivas do governo espanhol.

© Marcelo del Pozo / Reuters

Num relatório anual sobre a economia espanhola (no quadro do Artigo IV), o Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou hoje a "sólida recuperação" e a "assinalável melhoria" da atividade económica em Espanha, mas recomendou "esforços adicionais" a Madrid para consolidar esse crescimento, incluindo continuar as reformas no mercado laboral e a consolidação fiscal.

O crescimento espanhol - ajudado em boa medida por políticas europeias de forte estímulo monetário e um baixo preço do petróleo - ficará este ano acima dos 3% (tanto nas previsões do FMI como do Governo espanhol), mas a partir daí as previsões divergem.

O Fundo Monetário Internacional dá conta de uma desaceleração da economia espanhola a partir de 2016, ano em que considera que a economia espanhola vai crescer 2,5%. Para 2017 prevê 2,2% e em 2018 2%. A curva desce até aos 1,8% de crescimento em 2020.

No início de agosto o Governo espanhol apresentou o Orçamento Geral do Estado para 2016 e as previsões de crescimento são muito diferentes, num dos anos - 2018 - quase um ponto percentual acima.

O Governo de Mariano Rajoy coloca o crescimento espanhol em 2016 nos 3% e prevê um PIB de 2,9% tanto para 2017 como para 2018.

O próprio FMI aponta as razões para estar menos otimista a seguir a 2016. A entidade considera que Espanha tem um problema de crescimento potencial (ou PIB potencial), ou seja o que a economia espanhola poderia crescer caso utilizasse adequadamente todos os recursos à sua disposição.

Antes da crise (até 2007), a taxa de PIB potencial de Espanha - segundo o FMI - era de 3%: Com a crise, essencialmente a partir de 2008, registou-se uma quebra no investimento e o desemprego estrutural subiu, cortando o potencial de crescimento do PIB para 0,75%.

Os diretores executivos do FMI elogiam as autoridades espanholas pelas "políticas sólidas" e as reformas realizadas, especialmente as do mercado laboral e a moderação salarial, que impulsionaram a criação de emprego e a competitividade.

No entanto, ressalvam que "sem reformas adicionais", o crescimento potencial da economia espanhola vai manter-se baixo, numa média de 1,5% entre 2015 e 2020.

"A análise da equipa mostra que lidar com os problemas estruturais em Espanha pode ter um impacto significativo no crescimento potencial. [?] Uma reforma que reduza a percentagem de pequenas empresas para os níveis da Alemanha ou uma redução da diferença de produtividade entre as pequenas e as grandes empresas para os níveis praticados na Alemanha poderiam ter um impacto, respetivamente, de 7% e 2%", escreve o FMI.

Por outro lado, lidar com a dualidade do mercado de trabalho (diferenças entre contratos a prazo e contratos sem termo), com deficiências nas competências dos trabalhadores e outras reformas baixariam o desemprego estrutural para cerca de 10% (dos atuais 16%) e com isso o crescimento potencial sofreria uma alta de outros 4%.

O FMI também considera que se estas reformas fossem implementadas ao mesmo tempo e no prazo de 10 anos, o crescimento potencial seria de 2,5% ao ano, quase o dobro do cenário atual.

"Se queremos manter um crescimento forte, é necessário tomar medidas de longo prazo", salienta no relatório o chefe da missão do FMI para Espanha, Helge Berger.

Lusa

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