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Analistas dizem que quedas nas bolsas indiciam receios de uma nova recessão mundial

Os analistas contactados pela Lusa consideram que as quedas generalizadas nos mercados bolsistas devem-se à desvalorização da moeda chinesa e ao receio de uma nova recessão mundial, mas dizem não se tratar do início de um ciclo de perdas.

© Sergei Karpukhin / Reuters

As principais praças financeiras da Europa registaram hoje, em particular, fortes descidas, penalizadas pelo desempenho das bolsas asiáticas, sobretudo a queda da bolsa de Xangai, a maior em oito anos.

Contactado pela agência Lusa, Rui Bárbara, gestor de ativos do Banco Carregosa, afirmou que estas quedas "foram desencadeadas pela desvalorização da moeda chinesa" que levou os investidores a concluíram que o abrandamento da economia chinesa "pode estar pior do que se julgava".

Para Rui Bárbara, "no fundo, o que está a causar todos estes movimentos de venda é o receio de que o mundo entre em recessão outra vez", embora afaste a possibilidade de se tratar de o início de um ciclo de perdas.

"Neste momento, não pressinto que seja um problema semelhante ao vivido em 2008, a seguir à falência do Lehman [Brothers]. O facto de estarmos em agosto, um período com menos liquidez, também contribui para que as quedas pareçam maiores. Mas é difícil prever onde o rebentar de uma bolha na China nos pode levar", afirmou o gestor de ativos do Banco Carregosa.

Também Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio, considerou que há três fatores que explicam o desempenho dos mercados na sessão de hoje: os receios em relação ao abrandamento económico da China, as dúvidas em relação à capacidade da economia norte-americana e ainda a situação política grega que se complicou com a demissão do primeiro-ministro.

"Este sentimento negativo nos mercados ocorre num período que é normalmente marcado pela baixa liquidez, devido ao período de férias, e resultou dos receios em relação a um abrandamento pronunciado por parte da China (...) A penalizar o sentimento têm estado também os receios dos investidores em relação à capacidade da economia americana manter o ímpeto de crescimento, atendendo ao impacto cumulativo do abrandamento da China, do dólar forte e do impacto da expectativa de subida de taxas por parte da Fed", disse Rui Bernardes Serra em resposta à Lusa.

Além disso, o economista do Montepio destacou ainda que os eventos "estavam a ser favoráveis na Grécia", depois de o parlamento alemão ter aprovado o terceiro resgate aos gregos, mas sublinhou que "a situação política se adensou com a demissão do primeiro-ministro grego".

Questionado sobre se antecipa que esta queda bolsista se trata de um movimento de longa duração, Rui Bernardes Serra considerou que, "no pressuposto de que a China não está de facto a abrandar de uma forma demasiado intensa e que não existem surpresas negativas escondidas (...), espera-se que os mercados acionistas recuperem, ademais se as taxas de juro de longo prazo nas principais economias continuarem baixas".

No entanto, o economista do Montepio entende que, "se as taxas de juro de longo prazo caminhassem mais rapidamente para os seus valores médios históricos", provavelmente poderia haver "uma recuperação lenta dos mercados de ações".

No caso do PSI20, que fechou hoje a perder 5,80%, com todas as cotadas a desvalorizarem, Rui Bárbara, do Banco Carregosa, disse que esta queda foi "provocada essencialmente pelo arrastar da tendência do exterior", a qual foi "comum aos principais mercados na sessão de hoje".

Lusa

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