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Subida das taxas de juro nos EUA podem lançar "pânico" nos países emergentes

O economista-chefe do Banco Mundial considera que os mercados emergentes como a China ou o Brasil poderão enfrentar "pânico e turbulência" se a Reserva Federal norte-americana (Fed) aumentar as taxas de juro este mês.

© Lucas Jackson / Reuters

Em entrevista publicada na edição de hoje do Financial Times, Kaushik Basu defendeu que a Fed devia aguardar por uma retoma mais clara da economia mundial e argumentou que o aumento da incerteza na China e o seu impacto na economia global significa que a decisão de aumentar as taxas de juro na reunião de quarta e quinta-feira da próxima semana, pela primeira vez desde 2006, teria um impacto negativo.

O aviso do economista-chefe do Banco Mundial surge no mesmo sentido do apelo feito pelo Fundo Monetário Internacional, que recente também afirmou que países como o Brasil, Indonésia, China ou África do Sul seriam prejudicados se a Fed retirasse os estímulos que tem mantido nos últimos anos à economia.

Isto significa que se Janet Yellen decidir mesmo aumentar as taxas de juro já este mês, como tem vindo a sinalizar que o poderá fazer até final do ano, irá contra o conselho das duas instituições criadas em Bretton Woods para garantir a estabilidade económica mundial.

Para o Brasil, esta possibilidade é especialmente negativa porque surge num momento de recessão económica, aumento do desemprego e da inflação, fragilidade política do Governo brasileiro e aumento das taxas de juro, a que se junta uma desvalorização do real em cerca de um terço do seu valor este ano, analisa o FT.

Uma decisão dessas pode representar "um choque" e uma nova crise nos mercados emergentes, defendeu Basu ao FT, especialmente porque surge num contexto de aumento das preocupações sobre a economia chinesa e porque poderá ter como efeito uma saída dos investidores desses países, que ficariam a braços com uma desvalorização da sua própria moeda.

"Não penso que o 'lift-off' da Fed [a retirada dos estímulos], apesar de bem explicado, vá criar uma grande crise, mas vai criar uma turbulência imediatamente", disse Basu, acrescentando que "é o efeito conjugado das últimas duas semanas de más notícias com a desvalorização chinesa e no meio de tudo isto vai causar algum pânico e convulsões".

A economia mundial, concluiu, "está com um aspeto tão problemático que se os Estados Unidos tomam uma decisão rápida no meio disto tudo penso que os efeitos vão atingir os países de forma severa".

As previsões do Banco Mundial que apontavam para um crescimento de 2,8% da economia mundial estão ameaçadas pelo abrandamento nas economias emergentes, como a China ou o Brasil, bem como pelo crescimento anémico nas economias industrializadas, vincou o economista-chefe da instituição.

Lusa

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