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Fitch mantém rating da dívida pública portuguesa em BB+

A agência de notação financeira Fitch manteve esta sexta-feira a nota da divida pública portuguesa de longo prazo em BB+ e a perspetiva ('outlook') positiva.

A Fitch salientou que "não espera grandes alterações nas políticas económica ou orçamental depois das eleições", uma vez que, justificou, os principais candidatos à vitória eleitoral "são ambos pró-europeus e centristas". (Arquivo)

A Fitch salientou que "não espera grandes alterações nas políticas económica ou orçamental depois das eleições", uma vez que, justificou, os principais candidatos à vitória eleitoral "são ambos pró-europeus e centristas". (Arquivo)

Francisco Seco / AP

A nota "BB", na escala desta agência, respeita a investimentos especulativos e é definida como indicando "uma elevada vulnerabilidade ao risco de incumprimento, em particular na eventualidade de mudanças adversas nas condições económicas ou empresariais". Porém, faz-se a ressalva da "existência de flexibilidade económica ou empresarial que apoia o cumprimento dos compromissos financeiros".

Em comunicado, a nota é justificada com o "gradual reequilíbrio da economia", sustentado por "reformas estruturais em áreas como os mercados laboral e de produto".

No texto, prevê-se que "uma recuperação económica moderada vai ajudar a reduzir o défice orçamental para ligeiramente abaixo dos 3% do PIB (produto interno bruto) em 2015, depois dos 7,2% em 2014".

A Fitch salientou que "não espera grandes alterações nas políticas económica ou orçamental depois das eleições", uma vez que, justificou, os principais candidatos à vitória eleitoral "são ambos pró-europeus e centristas".

Porém, a agência de rating considerou que "a disputada corrida eleitoral significa que são possíveis vários cenários políticos", salientando a "incerteza quanto à rapidez de formação do governo e à sua subsequente coesão e estabilidade".

Previu também que "cumprir os objetivos de redução do défice e da dívida vai ser um desafio, uma vez que está agendada a anulação de algumas medidas recentes de consolidação orçamental".

A incapacidade de vender o Novo Banco na data prevista levou a Fitch a agravar a incerteza quanto ao valor atual do banco e à qualidade dos seus ativos, admitindo mesmo que seja vendido abaixo do valor do seu resgate (4,9 mil milhões de euros). Este cenário significaria o aumento de custos para os bancos portugueses e um potencial aumento da dívida pública portuguesa.

Por ter uma perspetiva positiva, a Fitch acrescentou que "não antecipa uma revisão em baixa" da nota atribuída.

Mas menciona alguns riscos que a possam levar a tal decisão, como uma redução da disciplina orçamental, um crescimento económico mais fraco e a incapacidade de progredir na redução dos desequilíbrios externos.

Por fim, a Fitch adiantou que "apesar da incerteza eleitoral, não espera desvios importantes na direção das políticas por parte do novo governo".

Lusa

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