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Goldman Sachs multado por abuso de informação confidencial

O banco Goldman Sachs foi multado em 50 milhões de dólares (46 milhões de euros) por violação de restrições à contratação de quadros da entidade reguladora e distribuição de informação confidencial desta proveniente, anunciaram hoje as autoridades.

© Brendan McDermid / Reuters

O Departamento de Serviços Financeiros (DSF), de Nova Iorque, informou que, além da multa, o Goldman Sachs aceitou não fazer contratações durante três anos que lhe dessem acesso a informação sensível do regulador.

"Este caso destaca a necessidade crítica das instituições financeiras de aplicarem controlos e políticas fortes na supervisão de conflitos de interesses dos seus empregados e no uso de informação confidencial do regulador", afirmou o superintendente do DFS, Anthony Albanese.

O Goldman Sachs ignorou as restrições que limitavam um antigo quadro do Banco da Reserva Federal (Fed) de Nova Iorque que contratou em julho de 2014, especificou o DFS.

Este quadro, Rohit Bansal, que trabalhou para a Fed de Nova Iorque durante sete anos, tinha sido aconselhado pelo Gabinete de Ética da antiga entidade patronal a não trabalhar para o Goldman Sachs num banco cliente que ele próprio fiscalizara, quando estava na Fed, até fevereiro de 2015.

Bansal entregou a sua notificação escrita que recebeu do Gabinete de Ética ao Goldman Sachs, mas este ignorou-a e afetou mesmo Bansal às operações com o banco cliente, apontou o DFS.

Bansal também foi acusado de "planear o roubo de documentos confidenciais do governo e do regulador", da Fed de Nova Iorque, para ajudar a aconselhar o banco cliente, acrescentou ainda o DFS.

A fonte de Bansal foi um quadro júnior da Fed de Nova Iorque, Jason Gross, que lhe enviou por correio eletrónico informação confidencial desta entidade reguladora sobre o banco cliente para o endereço pessoal de correio eletrónico de Bansal.

Depois, Bansal reenviou estas mensagens para os seus colegas de trabalho no Goldman Sachs, salientando por vezes que os documentos eram altamente confidenciais e não deveriam ser distribuídos.

Os quadros do Goldman Sachs usaram mais tarde alguma desta informação confidencial para aconselhar o banco cliente numa inspeção do regulador.

Este uso violou as restrições do Estado de Nova Iorque ao uso de informação confidencial de entidades reguladoras e despreza as próprias regras do Goldman Sachs sobre o uso deste tipo de informação por parte dos seus antigos empregados, contrastou o DFS.

Este caso destaca a cultura de proximidade, designada de 'portas giratórias', na qual os quadros circulam entre as agências de regulação e as entidades fiscalizadas.

Este problema tem sido particularmente incisivo com o Goldman Sachs, que tem empregado muitos quadros superiores da administração pública, antes ou depois de estarem no serviço público.

O atual presidente da Fed de Nova Iorque, William Dudley, é um antigo executivo do Goldman Sachs.

Lusa

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