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Grécia volta à recessão este ano devido à "crescente incerteza"

Bruxelas estima que a Grécia vai fechar o ano em recessão, apontando o dedo à "crescente incerteza" gerada pelo falhanço do programa de assistência, o referendo de junho último, o fecho dos bancos e o controlo de capitais.

Lefteris Pitarakis/ AP (Arquivo)

"A economia grega construiu um ímpeto positivo em 2014. No entanto, a conclusão sem êxito do segundo programa de ajustamento, o referendo convocado em junho de 2015 [sobre se o Governo deveria negociar ou não com os credores um novo programa], o fecho dos bancos que se seguiu e a introdução de controlo de capitais geraram incerteza e deterioraram a perspetiva de crescimento", indica a Comissão Europeia nas suas previsões económicas de outono, hoje divulgadas.

Nas suas previsões de primavera, divulgadas em maio, a Comissão ainda estimava um crescimento do PIB grego de 0,5%.

"Apesar da incerteza, o PIB real ainda cresceu 1,0% na primeira metade de 2015. Este resultado inesperado reflete com toda a certeza uma antecipação do consumo por parte de consumidores receosos quanto à perda dos depósitos. Também reflete uma quebra nas importações, à medida que o crédito comercial diminuiu significativamente, e vai ter um impacto retardado na produção", escreve o executivo comunitário.

A Comissão espera uma "recuperação ao longo de 2016, apoiada numa melhoria da confiança, na estabilização do setor financeiro que se seguirá à recapitalização dos bancos esperada para finais de 2015, e o consequente relançamento do investimento e dos projetos de privatização".

"Ainda assim estima-se que a economia grega vai contrair-se 1,3% em 2016, impactada por efeitos de 2015. Em 2017, o crescimento do PIB vai ganhar velocidade e está estimado em 2,7%, à medida que as reformas estruturais realizadas fortaleçam a procura", salienta.

A taxa de desemprego da Grécia, nas previsões de Bruxelas, deverá baixar de 26,5% em 2014 para os 25,7% este ano (mais uma décima do que o previsto), mas subindo novamente para os 25,8% em 2016.

Quanto às finanças públicas, a Comissão vê sinais de deterioração: o défice previsto para este ano nas previsões de primavera era de 2,1%, mas passou agora para 4,6%. Apenas em 2017, o défice deverá chegar aos 2,2%.

A dívida pública grega, que se agravou para 177,1% do PIB em 2014, deverá aumentar para os 194,8% este ano. Em 2016 atinge valores ainda mais altos: 199,7% do PIB.

No capítulo dos preços, a inflação na Grécia vai melhorar (-1,0%), contra os -1,4% de 2014, passando a positiva em 2016 (1,0%) e em 2017 (0,9%).

Lusa

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