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Reestruturação da dívida "tem de avançar em Orçamento logo que possível"

O ex-líder do BE Francisco Louçã defendeu hoje que a reestruturação da dívida deve fazer parte de um Orçamento do Estado logo que possível, pois só assim a economia portuguesa e a banca poderão fazer face ao problema estrutural de dependência externa.

Lusa

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HUGO DELGADO

"A reestruturação da dívida impõe-se não por mania polémica de alguns economistas a quem faltam outras soluções mas porque não há nenhuma outra solução. Essa decisão terá de ser tomada em algum Orçamento [do Estado], tão cedo quanto possível", afirmou o também economista e professor universitário numa conferência em Lisboa sobre o sistema financeiro português.

Para o antigo dirigente do Bloco de Esquerda, tal como acontece na economia portuguesa, um dos problemas estruturais do sistema financeiro português é a "sustentabilidade financeira, o seu modo de financiamento", dependente em grande parte de recursos exteriores.

"Não é aceitável, concebível, que um sistema financeiro para as suas necessidades de liquidez dependa do exterior em permanência", afirmou Francisco Louçã, considerando assim que uma reestruturação da dívida também teria impacto positivo na banca, até porque estaria menos vulnerável face aos choques externos.

Já no verão de 2014, antes do resgate do BES e bem antes da resolução do Banif, Louçã apresentou em conjunto com outros economistas uma proposta de reestruturação da dívida pública neste caso dos bancos portugueses, através de um processo de resolução bancária sistémica em que eram chamados os credores dos bancos para uma negociação.

O objetivo era reduzir a dívida líquida externa de Portugal.

De acordo com o Banco de Portugal, no final de 2014, a dívida externa líquida representava 104,2% no Produto Interno Bruto (PIB). Os valores de 2015 ainda não estão disponíveis.

Lusa

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