sicnot

Perfil

Economia

Mais de 400 pessoas recorreram à SOS Famílias Endividadas em 2015

ais de 400 pessoas em situação económica difícil, a grande maioria empregada, recorreram à SOS Famílias Endividadas em 2015, mas apenas 41 avançaram com o processo de reestruturação da dívida ou a insolvência, segundo dados da rede.

(Arquivo)

(Arquivo)

© Dado Ruvic / Reuters

Os dados divulgados à agência Lusa, a propósito dos dois anos da criação da rede de apoio a famílias sobre-endividadas, referem que, o ano passado, 417 pessoas contactaram o serviço, das quais 298 (71,46%) estavam empregadas, 87 desempregadas (20,86%), 21 eram empresários (5,94%) e 11 (2,64%) eram pensionistas.

Das pessoas apoiadas, 197 eram casadas, 97 divorciadas, 82 solteiros, 46 viviam em união de facto e cinco eram viúvas.

A solução apresentada para 281 pessoas (67,39%) foi a reestruturação da dívida e para 136 (32,61%) a insolvência, mas apenas foram resolvidos 41 casos, 32 dos quais através da reestruturação da dívida e nove por insolvência.

Em declarações à Lusa, a advogada Filomena Villas Raposo, responsável pelo acompanhamento jurídico dos processos, adiantou que o número de pessoas que recorreu à rede se manteve, mas houve uma alteração no seu 'status' económico.

Inicialmente eram famílias "mais modestas" e hoje são quadros médios que recorrem à restruturação dos seus créditos, adiantou.

Quando procuram a rede já estão no limite das suas capacidades. "Estiveram durante largos anos a pedir aos familiares ajuda, utilizaram os seus pés-de-meia, venderam as suas joias a pensar que era uma situação de crise transitória, mas não é".

Muitas vezes recusam avançar com o processo e voltam um ano depois já com execuções da dívida, disse a advogada.

Como razões para o reduzido número de casos solucionados, Filomena Raposo apontou a "má conotação da palavra insolvência", "o medo" de ter o nome no Banco de Portugal e a incapacidade de encarar o "insucesso familiar".

"O tabu" que as pessoas têm relativamente a estas questões é "proporcional às suas habilitações e aos seus conhecimentos do mundo", disse a advogada.

Apesar das famílias serem responsáveis pelo desequilíbrio das suas economias, a responsável também atribui culpas à banca.

"A banca tem tanta ou mais responsabilidade do que a família ou a pessoa singular que, por várias razões, pode não estar prevenida e não ter a capacidade naquele momento de procurar outra alternativa e rende-se a um crédito", explicou.

Além do "tabu da palavra insolvência", a maioria das famílias "tem pavor" de entrar com situações em tribunal, preferindo pedir mais créditos.

"Nós que trabalhamos nestas áreas vemos as pessoas na beira do precipício e isto deixa-nos combalidos", porque não podemos obrigá-las a avançar com o processo, lamentou.

Contudo, a reestruturação da dívida só é possível graças aos tribunais: "Não há ninguém que consiga num balcão de um banco uma reestruturação ou renegociação do total dos seus créditos".

Segundo a advogada, os tribunais "são rápidos" a resolver estes processos, uma situação que melhorou com o atual mapa judiciário, nomeadamente à especialização dos tribunais e à sua sensibilização para resolver estes casos.

A maioria dos pedidos à rede foi feita no distrito de Lisboa (112), seguido do Porto (60), Setúbal (45), Faro (25), Madeira (23) Coimbra (22), Aveiro (20), Braga (17), Santarém (16), Açores (14), Leiria (10), Beja, Évora, Vila Real (sete casos cada um), Castelo Branco, Guarda, Portalegre, Viana do Castelo (seis casos cada um), Viseu (5) e Bragança (3).

A rede, composta por cerca de 150 associações, surgiu da união entre a Confederação Nacional das Associações de Família e o Centro de Apoio ao Endividado para dar uma resposta célere e eficaz na resolução destes problemas.

Lusa

  • Marco Silva vai treinar o Watford

    Desporto

    O treinador português Marco Silva assinou contrato com o Watford, da Liga Inglesa. O emblema que terminou a última Premier League na 17ª posição, a última antes dos lugares de descida, ganhou assim a corrida ao Crystal Palace e ao FC Porto, que também tentaram contratar o técnico.

  • "A maior conquista foi construir estabilidade"
    2:14

    Economia

    António Costa voltou esta sexta-feira a garantir que a partir de junho nenhum subsídio de desemprego será inferior a 421 euros por mês. O primeiro-ministro falava nas jornadas parlamentares do PS, onde afirmou que a estabilidade é a maior conquista deste Governo.

  • Com a multiplicação de bons indicadores económicos e financeiros do país, multiplicam-se os elogios ao Governo e declaram-se mortas e enterradas as políticas do passado recente, nomeadamente a da austeridade. Nada mais errado. O que os bons resultados agora alcançados provam definitivamente é que a austeridade resolveu de facto os problemas das contas públicas e, mais do que isso, contribuiu para o crescimento económico que foi garantido por reformas estruturais e pela reorientação do modelo económico.

    José Gomes Ferreira

  • Raízes de ciência e rebentos de esperança
    14:14
  • Portugal pode ser atingido por longos períodos de seca

    País

    Portugal e Espanha podem ser atingidos até 2100 por 'megasecas', períodos de seca de dez ou mais anos, segundo os piores cenários traçados num estudo da universidade britânica Newcastle, que tem a participação de uma investigadora portuguesa.

  • G7 reforça compromisso na luta contra o terrorismo
    2:11
  • Uma foto para a história

    Mundo

    As mulheres dos líderes mundiais que se reúnem nas cimeiras da NATO posam para a fotografia oficial das primeiras-damas. A deste ano é histórica. Pela primeira vez, há um marido de um primeiro-ministro entre as nove mulheres. Trata-se de Gauthier Destenay, casado com o líder do Luxemburgo.