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CDS diz que Centeno está refém do BE, PCP e PEV e incapaz de responder à Europa

O deputado do CDS-PP João Almeida disse hoje que o ministro das Finanças "foi profeta de uma religião que ia salvar o país e acaba refém do BE, PCP e PEV", sendo incapaz de responder à Comissão Europeia.

O deputado do CDS/PP, João Almeida (Lusa/ Arquivo)

O deputado do CDS/PP, João Almeida (Lusa/ Arquivo)

LUSA

Na fase de intervenções da manhã do último dia do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2016, João Almeida dirigiu-se ao ministro das Finanças, Mário Centeno, (que nesse momento se estava a retirar da sala por instantes) e recordando a citação de uma música de Sérgio Godinho feita pelo governante -- "Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas" - respondeu com Jorge Palma: "Já tinhas meio mundo na mão, quiseste impor a tua religião e acabaste por perder a liberdade".

"É essa exatamente a situação do ministro das Finanças neste momento. O ministro das Finanças apareceu com uma bíblia que era o cenário macroeconómico, foi profeta de uma religião que ia salvar o país e acaba refém do BE, do PCP, do PEV e incapaz de responder à Comissão Europeia, ou seja perdendo toda a sua liberdade", acusou.

Num pedido de esclarecimento feito pelo deputado do BE José Soeiro voltaram as críticas ao silêncio do CDS em termos de propostas para este orçamento: "O que o CDS tem feito neste debate no orçamento é um puro exercício de ocultação".

Na resposta, João Almeida endureceu o discurso com os bloquistas: "O senhor deputado sabe muito bem as circunstâncias em que PSD e CDS governaram, sabe muito bem o comodismo da posição que o Bloco agora assume porque nem as circunstâncias são as mesmas, nem os senhores têm coragem de ser Governo".

"Tenha vergonha na cara. O senhor não faz a mínima ideia do que é ter responsabilidades no país estando com a 'troika' cá presente e nem com a 'troika' fora de Portugal o senhor é capaz de se sentar ali para responder aos portugueses pelas opções que toma", atirou João Almeida a José Soeiro.

O ex-secretário de Estado ainda recordou que o BE tinha proposto um aumento de 25 euros por mês para os pensionistas e neste orçamento, esses mesmos pensionistas, "vão ter um aumento de um euro".

Na intervenção seguinte, Heloísa Apolónia, dos Verdes, enfatizou que "este orçamento contém opções de mudança" e que, caso estivesse em discussão "um orçamento do PSD e CDS continuaria o mesmo peso estrangulador para as famílias portuguesas".

"Este era o orçamento que os Verdes construiriam? Não, não era. Um orçamento construído pelo PEV teria um outro olhar sobre o investimento público fundamental, nomeadamente no ambiente, nos transportes, na educação, na saúde, na cultura", admitiu.

No entanto, para Heloísa Apolónia "este não é um orçamento que o PS construiria sozinho caso estivesse com uma maioria absoluta".

"Porque o passado bem o demonstrou e a verdade é que as posições conjuntas assinadas com outros partidos, entre os quais o PEV, tiveram o mérito de puxar as políticas do Governo PS para medidas mais justas e muito emergentes que o país precisa como pão para a boca", justificou.

Lusa

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