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HSBC diz que libra pode cair quase 20% se Reino Unido sair da UE

O banco britânico de investimento HSBC advertiu hoje que uma eventual saída do Reino Unido da Europeia (UE) pode provocar uma depreciação da libra de quase 20% e uma diminuição do Produto Interno Bruto (PIB).

© Luke MacGregor / Reuters

Num relatório apresentado hoje, a entidade alerta para as consequências negativas para a economia britânica no caso de um triunfo do 'Brexit' no próximo referendo, que se realiza a 23 de junho sobre a permanência ou saída do país do bloco comunitário.

O banco alerta para que caso "se vote a favor do 'Brexit', a incerteza afetará a economia".

"Um voto a favor do 'Brexit' teria potencialmente consequências para todas as classes de ativos. Depois de uma votação para abandonar (a UE), pensamos que a incerteza poderia perturbar a economia britânica, provocando uma potencial desaceleração do crescimento e um colapso da libra", sublinham os analistas do HSBC.

O HSBC vaticina que aquele cenário poderia provocar uma perda entre 1,0 e 1,5 pontos percentuais da taxa de crescimento do PIB na segunda metade de 2017.

Um 'Brexit' "empurraria as previsões da taxa de crescimento do PIB em 2017, atualmente de 2,3%, para um valor entre 0,8% e 1,3%.

Além disto, o HSBC afirm que um 'Brexit' provocaria uma queda de quase 20% do valor face ao dólar para níveis jamais vistos desde 1985.

"E se a libra esterlina caísse entre 15% e 20% - tal como estimam os nossos estrategas em divisas - a inflação britânica poderia aumentar até 5,0 pontos percentuais, quando a nossa previsão para finais de 2017 é que esta atinja 1,8%", refere o relatório.

O banco também considera que no caso de uma vitória do 'Brexit', "as preocupações com a deflação poderiam dar lugar a preocupações pela estagflação" (altos níveis de inflação e de desemprego).

Os analistas do HSBC também estimam que algumas empresas britânicas poderiam ter dificuldades para atrais empregados qualificados do estrangeiro caso ganhem os apoiantes da saída da UE.

A entidade refere ainda que com a vitória do 'Brexit' os bens importados ficariam mais caros, devido à fraqueza da libra, e sublinha que o Banco de Inglaterra seria contra uma subida das taxas de juro.

A libra esterlina registou hoje a cotação mais baixa em sete anos face ao dólar devido à incerteza sobre a permanência do país na União Europeia (UE).

A cotação da libra face ao dólar caiu para 1,40 dólares pela primeira vez desde março de 2009 e estava a negociar-se nos mercados de câmbios a 1,3928 dólares, menos 0,67% do que na sessão anterior, e a 1,2677 euros, menos 0,37%.

A divisa britânica também estava a recuar face ao iene, a cotar-se a 155,68 ienes, menos 0,97%.

A libra tem estado a cair desde segunda-feira, dia em que vários ministros do Governo britânico e o presidente da Câmara de Londres, Boris Johnson, confirmaram que vão apoiar o 'Brexit' (junção das palavras em inglês Britan e exit, saída da UE) no referendo sobre a permanência do país na UE que se vai realizar a 23 de junho.

A incerteza sobre o futuro do Reino Unido, com a possibilidade de 'Brexit', tem estado a pressionar a libra, que na última segunda-feira registou uma queda brusca diária de 2%, a de maior dimensão desde janeiro de 2015.

A perspetiva de uma saída, bem como as divisões internas que atingem o Governo britânico alarmaram os investidores, que preveem uma grande volatilidade até ao dia do referendo, referiram analistas citados pela Efe.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou no sábado que o referendo se vai realizar na quinta-feira, 23 de junho, depois de ter concluído um acordo de reformas da UE com os parceiros europeus.

O acordo concluído por Cameron na sexta-feira em Bruxelas permitirá ao Governo britânico limitar as ajudas públicas a trabalhadores comunitários no Reino Unido durante um período de quatro anos, bem como adaptar as ajudas por filhos que vivem fora das ilhas britânicas ao custo do nível de vida daqueles países.

Também exclui o Reino Unido de qualquer medida destinada a aumentar uma maior integração política com a Europa e cria mecanismos para que os países fora da zona euro forcem um debate sobre leis que consideram contrárias aos seus interesses.

Lusa

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