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Lucro mensal da Sonangol caiu cerca de 1.000 M€ em dois anos

A concessionária estatal angolana Sonangol viu as receitas caírem em janeiro último mil milhões de euros, face ao mesmo mês de 2014, antes da crise da quebra da cotação do barril de crude no mercado internacional. A petrolífera saiu entretanto do offshore angolano, vendendo a totalidade da participação a cinco empresas.

Sonangol é a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Arquivo/ SIC)

Sonangol é a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Arquivo/ SIC)

De acordo com dados de relatórios do Ministério das Finanças sobre a receita petrolífera angolana, compilados hoje pela Lusa, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), concessionária do setor petrolífero, entregou ao Estado, no mês de janeiro de 2014, mais de 232,3 mil milhões de kwanzas (1,3 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

Trata-se de um valor proveniente da venda de petróleo bruto, que com a queda da cotação nos mercados internacionais, desde há cerca de um ano e meio, desceu em janeiro de 2016, segundo o relatório mais recente do Ministério das Finanças, para 54 mil milhões de kwanzas (310 milhões de euros), sensivelmente o mesmo valor face a dezembro anterior.

Em janeiro de 2015, os lucros da concessionária estatal com a venda de petróleo já tinham caído para 80,5 mil milhões de kwanzas (461 milhões de euros).

No Orçamento Geral do Estado para 2016, o Governo inscreveu uma verba de 1,163 biliões de kwanzas (6,6 mil milhões de euros) que prevê arrecadar em todo o ano com os impostos petrolíferos gerados pela Sonangol. Em 2014, esse encaixe rondou os dois biliões de kwanzas (11,4 mil milhões de euros).

Assim, e à taxa de câmbio atual, o maior grupo empresarial angolano, com perto de 10.000 trabalhadores, viu as receitas (mensais) com a venda de petróleo caírem, nos mesmos meses de janeiro, entre 2014 e 2016, cerca de 178 mil milhões de kwanzas (mil milhões de euros).

As contas da Sonangol têm sido afetadas fortemente pela crise do petróleo, que por sua vez mergulhou Angola numa crise financeira, económica e cambial, e até motivaram a aplicação, em 2015, de um plano de contenção interna, com anúncios de cortes por exemplo em assessorias externas e algumas regalias.

Em conferência de imprensa realizada a 13 de julho de 2015 em Luanda, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria, negou notícias de então, que apontavam para a falência da petrolífera estatal.

"Qualquer estado de falência ou de bancarrota teria que implicar que, num só ano, a Sonangol registasse prejuízo de 22 mil milhões de dólares, o que é virtualmente impossível de acontecer. Num só ano, mesmo num período de quatro ou cinco anos", afirmou Francisco de Lemos José Maria.

Acrescentou, para justificar a "estabilidade" e "robustez operacional" da empresa, que a Sonangol possuía, à data, um nível geral de endividamento de 13.786 milhões de dólares (12,5 mil milhões de euros), contra um património superior a 21.988 milhões de dólares (30 mil milhões de euros), conferindo uma alavancagem "suficientemente estável" e superior a 63%.

Além disso, a Sonangol registou a 31 de dezembro de 2014 um lucro operacional (EBITDA) superior em 1.650 milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros) à sua dívida líquida, revelando "a sustentabilidade operacional do endividamento e a preservação de liquidez suficiente para as adversidades conjunturais", nomeadamente a baixa da cotação internacional o crude.

Sonangol vende participação e sai de bloco petrolífero no offshore angolano

A petrolífera saiu do grupo empreiteiro responsável pela operação do bloco petrolífero 2/05, no offshore angolano, ao largo da província do Zaire, vendendo a totalidade da participação a cinco empresas.

A decisão consta de um decreto executivo assinado pelo ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos, de 11 de fevereiro, autorizando a venda da participação de 50 por cento nesta sociedade, embora não sejam adiantados valores no documento a que a Lusa teve hoje acesso.

Neste negócio, que não aponta motivos para a venda a concretizar pela Sonangol Pesquisa e Produção, a Falcoin Oil Holding Angola, conotada ao empresário angolano António Mosquito, compra uma participação de 20% do grupo empreiteiro, enquanto as empresas Prodoil e Acrep adquirem uma quota de 12,5% cada uma.

Acresce duas participações de 2,5% cada, que passam para as mãos da Kotoil e da Poliedro.

Com este negócio, a estatal Sonangol sai totalmente deste bloco ?offshore', em fase de exploração, mantendo a empresa privada angolana Somoil, fundada em 2003, a maior participação, de 30%.

Esta venda surge numa altura em que um comité criado pelo Governo angolano, integrando a empresária Isabel dos Santos, está a estudar o aumento da eficiência do setor petrolífero, estimando a apresentação de uma proposta formal em março.

"Ao contrário da informação apresentada por alguns órgãos de comunicação social, o objetivo do comité não é a avaliação e venda de ativos da Sonangol ou do grupo Sonangol. No âmbito deste processo, não está incluído qualquer tipo de transações ou privatizações de investimentos da Sonangol", refere um comunicado, enviado a 22 de janeiro à Lusa pelo referido comité.

Em Portugal, a Sonangol tem participações diretas e indiretas no Millennium BCP e na Galp, enquanto em Angola tem dezenas empresas do grupo em vários setores de atividade, fora do petróleo.

O Governo angolano criou o Comité de Avaliação e Análise para o Aumento da Eficiência do Setor Petrolífero com a missão de elaborar um modelo "mais eficiente" para o setor e para melhorar o desempenho da Sonangol. Foi ainda instituída, igualmente por despacho presidencial de outubro, a comissão de Reajustamento da Organização do Setor dos Petróleos.

A comissão é liderada pelo próprio Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e vai decidir sobre as propostas do comité - onde está presente a filha, Isabel dos Santos - para uma "estratégia integrada" e "modelos organizativos eficazes" para "aumentar a eficiência do setor petrolífero nacional".

Lusa

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