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Maria Luís Albuquerque recusa incompatibilidade das novas funções

A deputada do PSD e ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque confirmou hoje a sua contratação pela Arrow Global para administradora não executiva, defendendo não ter "nenhuma incompatibilidade ou impedimento legal" com atuais ou anteriores funções políticas. O PCP já anunciou que vai levar a matéria à subcomissão parlamentar de Ética.

© Hugo Correia / Reuters

"A função de administradora não executiva não tem nenhuma incompatibilidade ou impedimento legal pelo facto de ter sido ministra de Estado e das Finanças e de ser deputada. Qualquer outra leitura que possa ser feita desta nomeação só pode ser entendida como mero aproveitamento político-partidário", afirmou Maria Luís Albuquerque, em comunicado.

A ex-ministra das Finanças foi nomeada para diretora não executiva do grupo Arrow Global, o qual tem em Portugal clientes como o Banif, o Millennium BCP ou o Montepio, com efeitos a 07 de março e que a agora deputada vai integrar o comité de risco e auditoria.

PCP convoca subcomissão parlamentar de Ética

O deputado do PCP Jorge Machado anunciou hoje que o seu grupo parlamentar vai pedir à subcomissão de ética para avaliar a situação da deputada do PSD Maria Luís Albuquerque, contratada por um grupo britânico de gestão de crédito.

"Tem havido demasiado tempo de promiscuidade entre o poder político e o poder económico e essa é uma mensagem errada que não se deve transmitir ao povo português. Os titulares de cargos públicos devem tê-los devidamente separados do poder económico", afirmou o parlamentar, nos passos perdidos do parlamento.

"Esta promiscuidade de uma deputada, que foi ministra das Finanças, que esteve diretamente relacionada com o processo do Banif e agora é contratada por uma empresa que ganhou a carteira de créditos mal parados desse mesmo Banif, é uma matéria que, do ponto de vista da ética republicana, deveria suscitar sérias questões. Mas, lá está, em matéria de ética, cada um tem a que tem", salientou Jorge Machado.

Segundo o deputado comunista, "há matérias de legalidade e devem ser avaliadas pela subcomissão de ética".

"Há sérias dúvidas relativamente ao estatuto dos deputados, seu regime de incompatibilidade e impedimentos a que estão obrigados, e também a violação do chamado período de nojo, segundo o qual titulares de cargos públicos, quando cessam funções, não podem exercer atividade nos ramos que tutelaram", afirmou.

Lusa

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