sicnot

Perfil

Economia

Suinicultores cortam rotunda após "marcha fúnebre" em Leiria

Cerca de 150 suinicultores participaram esta noite numa "marcha fúnebre", cortando a rotunda junto às piscinas municipais de Leiria e empunhando bandeiras pretas, em forma de protesto contra o colapso do setor.

Paulo Cunha

Paulo Cunha

Paulo Cunha

Paulo Cunha

"As bandeiras pretas significam que o setor da suinicultura em Portugal está a começar a fazer o seu luto. Por estes meses, tornou-se insustentável continuar a produzir no país que temos. O que temos tido do Governo é mais do mesmo: uma mão cheia de nada. Andamos a tentar há três meses que o ministro possa ajudar a atenuar o problema que temos nas explorações e medidas em concreto não temos", adiantou o porta-voz dos suinicultores, João Correia.

Após um plenário que precedeu o protesto, João Correia adiantou que muitos dos presentes comunicaram aos colegas do setor que "não conseguem continuar a produzir" e "vão abandonar o setor".

Segundo o porta-voz, "cerca de dez a 12 por cento [suinicultores presentes] manifestaram não terem mais condições de subsistir", havendo "animais a morrer à fome".

De acordo com João Correia, se continuarem a fechar explorações nos próximos dois meses "diretamente vão cerca de 50 mil funcionários para o desemprego".

"Fazendo uma conta rápida passará a ter o Estado o ónus de mais 30 milhões de euros de subsídio de desemprego por mês. Portugal tem capacidade para isso? Eu acho que não."

João Correia lançou ainda um apelo ao recém-empossado Presidente da República para que "pudesse de alguma forma se inteirar e ficar a saber quais são os problemas que o setor da suinicultura tem e quais são os problemas sociais que podem advir do colapso do setor".

Para o porta-voz dos empresários, as medidas que o Governo tem apresentado são "paliativas". "Quando 20 milhões não chegam claramente para resolver o problema da suinicultura, se o tivermos de dividir por dois são dez [milhões], não chega rigorosamente para nada".

João Correia salientou ainda que "no pacote dos 500 milhões de euros dados pela União Europeia, vieram também 4,8 milhões de euros para o setor da carne e para o leite", mas "os porcos ficaram a zero". A verba "foi toda ela canalizada para o leite".

Sobre a redução de 50 por cento da taxa de pagamento à Segurança Social, João Correia disse: "é mais uma vez a conversa do Melhoral, não faz bem nem faz mal".

O porta-voz alertou ainda para a formação de jovens. "As universidades estão a formar técnicos para vir trabalhar para a agricultura e para a produção animal. É bom que essas pessoas, que estão no início dos cursos, pensem rapidamente e ponderem. Se vão acabar licenciatura vão ter de emigrar ou vão para o desemprego."

Estes empresários têm feito várias ações de protestos e acusam a grande distribuição da crise no setor.

Exigem também um controlo das importações de carne.

Lusa

  • Marcelo saúda "forma rápida" como Conselho de Ministros "tratou de tudo"
    1:03

    País

    O Presidente da República lembra que é preciso convergência de forma a adotar rapidamente as medidas mais urgentes do plano de emergência. No concelho de Tábua, Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda os esforços do Conselho de Ministros, mas lembrou que as medidas anunciadas são apenas o início de um processo e não o fim.