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Prolongar situação do Banif até 2016 seria "imprevisível" para sistema financeiro

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, lembrou hoje que uma tomada de decisão sobre o Banif em 2016 teria de ser feita no quadro do Mecanismo Único de Resolução europeu e seria "imprevisível" para o sistema financeiro português.

Lusa

"Uma resolução em 2016 implicaria uma capitalização interna extensiva que abrangeria os depósitos não protegidos e seria um facto da maior relevância do ponto de vista da confiança dos depositantes do sistema bancário, com risco de contágio a todos os demais bancos do sistema", advogou o governador, que falava na comissão de inquérito sobre o Banif.

Carlos Costa lembrou as regras europeias que entraram em vigor a 01 de janeiro de 2016 no setor bancário, e desse modo sublinhou que o "final de 2015" foi um espaço temporal "importante do ponto de vista de tomada de decisão" em torno do Banif.

O Banco Central Europeu (BCE), diz Carlos Costa, avisou o banco central de Portugal de que uma eventual solução em 2016 envolveria depósitos não protegidos e o prolongar da indefinição em torno do banco teria um "alcance imprevisível" no que refere à "estabilidade financeira nacional", sinalizou, perante os deputados da comissão de inquérito.

A comissão parlamentar de inquérito ao processo que conduziu à venda e resolução do Banco Internacional do Funchal (Banif) ouve desde cerca das 15:15 o governador do banco central.

Na semana passada, foram ouvidos antigos gestores do Banif e o BdP não foi poupado a críticas na sua atuação.

O ex-presidente do Conselho de Administração do Banif Luís Amado disse, por exemplo, que a notícia da TVI sobre o banco, datada de 13 de dezembro de 2015, provocou uma fuga de depósitos elevada e que o BdP "demorou a reagir".

"O banco sentiu-se apoiado pelo Governo, mas o BdP demorou a reagir", disse Luís Amado no parlamento, referindo-se à notícia da TVI de dia 13 de dezembro de 2015, que provocou uma fuga de depósitos próxima de mil milhões de euros nessa semana.

Já no dia anterior à audição de Amado, o ex-presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, tinha dito no parlamento que o banco central alterou a sua posição quanto à defesa do banco a partir de meados de novembro, após uma reunião realizada em Bruxelas.

O processo de venda do banco, em dezembro de 2015, domina os trabalhos da comissão de inquérito, que analisa a "avaliação de riscos e alternativas" da decisão, "no interesse dos seus trabalhadores, dos depositantes, dos contribuintes e da estabilidade do sistema financeiro".

Também a avaliação do "comportamento da autoridade de supervisão financeira", o BdP, sobre o caso Banif, é um dos objetivos da comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco.

Lusa

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