sicnot

Perfil

Economia

Governo angolano nega que pedido de apoio seja resgate económico

O governo angolano afirma que o pedido dirigido ao Fundo Monetário Internacional (FMI) será para um Programa de Financiamento Ampliado para apoiar a diversificação económica a médio prazo, negando que se trate de um resgate económico.

© Mike Hutchings / Reuters

A posição surge numa "nota de esclarecimento" enviado hoje à Lusa pelo Ministério das Finanças, aludindo às "interpretações difusas veiculadas por órgãos da comunicação social angolana e portuguesa" que "revelam algum desconhecimento do 'novo normal' decorrente do processo de ajustamento da economia nacional, com tendência resiliente".

O documento refere que o pedido do Governo angolano ao FMI será para beneficiar do Programa de Financiamento Ampliado (Extended Fund Facility - EFF), um instrumento financeiro "direcionado a reformas estruturais voltadas para a diversificação da economia, reforço da balança de pagamentos, com propósito cimeiro de fortalecer os pilares da sustentabilidade da nossa economia" e "ao contrário de programas de austeridade como por exemplo os programas para resgates económicos".

"Quanto ao apoio financeiro efetivo, os recursos do EFF são geralmente amortizáveis em prazos mais longos", até 10 anos, mas sem concretizar o montante que Angola estima necessitar.

O Ministério das Finanças agendou para hoje, às 16:00, em Luanda, uma conferência de imprensa para abordar o pedido de apoio ao FMI, numa altura de forte crise económica e financeira em Angola, devido à quebra nas receitas com a exportação de petróleo.

O FMI anunciou quarta-feira que Angola solicitou um programa de assistência para os próximos três anos, cujos termos serão debatidos nas reuniões de primavera, em Washington, e numa visita ao país.

"O recurso ao programa de financiamento ampliado, num momento em que Angola vem realizando importantes reformas voltadas para a estabilidade macroeconómica e a diversificação da economia, mantendo uma política fiscal responsável, um nível de Reservas Internacionais elevado, entende-se como uma medida prudente e responsável", sublinha o Ministério das Finanças.

Neste contexto, o economista angolano Carlos Rosado de Carvalho já disse à Lusa que o montante do apoio financeiro do FMI pode chegar aos 2,4 mil milhões de dólares, o equivalente a 600% da quota de Angola para o fundo, superior à previsão inicial que, num quadro de um apoio de facilidade de crédito ampliado podia atingir os 300 milhões de dólares por ano.

"Não é o dinheiro que é importante, mas sim o programa de reformas e o compromisso deste programa. É evidente que haverá cortes, mas o fundamental é a confiança que vai dar à economia angolana e a credibilidade às políticas. Os investidores vão ficar mais confiantes, porque vão esperar um crescimento mais sustentável da economia angolana", explicou anteriormente o economista e diretor do semanário angolano "Expansão".

O Ministério das Finanças recorda, por seu turno, no comunicado de hoje, que Angola tem vindo a implementar "por sua iniciativa" um conjunto de reformas "que têm merecido o aplauso internacional, sem as quais o nível de adaptabilidade ao quadro atual não seria o mesmo" e "permitindo com isso criar um quadro de maior resiliência perante as consequências da baixa do preço do petróleo, dos reprimidos níveis de crescimento económico observados na economia global e do estado dos mercados financeiros".

Lusa

  • FMI em Angola, a "petrodólar mania acabou"
    2:56

    Economia

    Com o preço do barril de petróleo abaixo dos 40 dólares, Angola com os cofres públicos vazios viu-se obrigada a pedir assistência financeira internacional. As reações suncedem-se. Ao mesmo tempo que o mercado de rua bate máximos para transacionar dólares americanos, a Associação Industrial de Angola diz que a "petrodólar mania acabou".

  • Angola pede ajuda ao FMI pela segunda vez em sete anos
    2:55

    Economia

    Angola pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional. No pico de uma crise económica, por causa das sucessivas quedas do preço do petróleo, o Estado angolano viu-se obrigado a fazer um pedido de assistência financeira, pela segunda vez em sete anos. O país perdeu mais de cinco mil milhões de euros em 2015 com queda do petróleo. O FMI impõe a Angola que diversifique economia e aposte no investimento privado.

  • Não há risco de colapso do viaduto de Alcântara
    1:35

    País

    O desvio de um pilar do viaduto de Alcântara obrigou esta quarta-feira ao corte do trânsito e da circulação de comboios da linha de Cascais. O estrago terá sido provocado por um camião que embateu na estrutura. A circulação ferroviária foi retomada a meio da manhã, mas o viaduto só será reaberto esta quinta-feira.

  • Suspeito de homicídio à porta do Luanda foi ouvido em tribunal e ficou em preventiva
    1:36

    País

    O suspeito de ser o autor dos disparos que mataram um jovem junto à discoteca Luanda foi ouvido em tribunal e ficou em prisão preventiva. Segundo a investigação, tudo terá começado com um mero desacato, ainda dentro da discoteca, onde a vítima e o detido foram filmados a discutir. O homem de 23 anos está indiciado por dois crimes de homicídio, um na forma tentada.

  • Romeu e Julieta nasceram no mesmo dia e no mesmo hospital

    Mundo

    Na Carolina do Sul, nos EUA, dois bebés tinham o parto marcado para 26 de março mas decidiram nascer mais cedo: exatamente no mesmo dia, apenas com uma diferença de 18 horas. Os pais não se conheciam e, curiosamente, deram o nome aos recém nascidos de Romeo e Juliet (em português, Romeu e Julieta).

  • Gelo nos polos recua para recordes mínimos

    Mundo

    A extensão de gelo polar dos oceanos Ártico e Antártico atingiu recordes mínimos a 13 de fevereiro, perdendo o equivalente a uma área maior do que o México, informou esta quarta-feira a agência espacial norte-americana NASA.

  • Túmulo de Jesus Cristo restaurado

    Mundo

    Após 10 meses de obras de restauro, o túmulo onde Jesus Cristo terá sido sepultado foi esta quarta-feira revelado numa cerimónia na igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém.