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Capitais angolanos controlam 30% do sistema bancário português

Os bancos controlados por investidores de Angola ou em que o capital angolano é preponderante representam uma quota de 30% da banca portuguesa, quer em termos de ativos quer de passivos, segundo cálculos feitos pela Lusa com dados da APB.

Tendo em conta os bancos portugueses com capital angolano, que são os grandes BCP e BPI e os mais pequenos BIC e BIG, estes representam pouco mais de 30% dos ativos totais detidos pela banca portuguesa.

Estas contas foram feitas a partir dos últimos balanços consolidados disponíveis no 'site' da Associação Portuguesa de Bancos (APB), segundo os quais em junho de 2015 o ativo total do sistema bancário português (aplicações noutras instituições de crédito, instrumentos financeiros, como ações e obrigações, mas sobretudo crédito a clientes) ascendia a 400 mil milhões de euros.

O Millenium BCP, cujo principal acionista é a petrolífera angolana Sonangol com 17,84% do capital social, detinha 19,66% dos ativos do sistema bancário português, enquanto o Banco BPI representava 10,35% do total.

A angolana Santoro, da empresária Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, é o segundo maior acionista do BPI, com 18,58% do capital social, seguido do espanhol Caixabank, com 44,10%. Contudo, como no BPI há limitação aos direitos de voto a 20%, na prática o capital angolano tem um poder muito semelhante ao espanhol, podendo vetar decisões, como aliás tem acontecido recentemente a propósito do Banco de Fomento de Angola (BFA).

Ainda com capital angolano estão presentes em Portugal o Banco BIC, também da empresária Isabel dos Santos e do banqueiro luso-angolano Fernando Teles, e o banco BIG, em que a empresa World Wide Capital, do general angolano Hélder Vieira Dias 'Kopelipa', é a quarta maior acionista com 9,93%.

Estes bancos representam uma parte pequena dos ativos do sistema bancário português, com o BIC a deter 1,59% do total, isto tendo em conta o seu balanço individual, e o BIC com ativos equivalentes a apenas 0,40%.

Já olhando para o lado do passivo bancário - isto é, as responsabilidades que os bancos têm com terceiros, de que se destacam os depósitos dos clientes - as conclusões a que se chegam são muito semelhantes às retiradas da análise dos ativos, com os bancos controlados por capital angolano a representarem cerca de 30% do total dos passivos do sistema bancário português.

Fazendo novamente cálculos a partir dos dados da APB, o BCP representa novamente 19,66% do total do passivo e o BPI 10,44%. Já o BIC detém cerca de 1,6% e o BIG 0,37% do passivo total.

Da análise destes dados conclui-se, assim, da importância dos investidores angolanos na banca portuguesa, que, aliás, pode estar em transformação, tendo em conta variantes relacionadas com o negócio em si, mas também com a evolução económica de Angola, que esta semana pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

No BPI decorrem negociações entre os dois principais acionistas - Caixabank e Santoro - relativamente à operação do banco em Angola, onde detém a maioria do capital do Banco de Fomento Angola.

Uma vez que o Banco Central Europeu (BCE) obriga a reduzir a exposição dos bancos europeus àquele mercado, há de momento negociações sobre esse assunto que podem passar por o banco espanhol comprar a participação da angolana Santoro no BPI, sendo que, em contrapartida, Isabel do Santos ficava com totalidade com o BFA. Fala-se ainda na 'luz verde' do Governo português para, nesse cenário, a empresária entrar no capital do BCP.

Quanto ao BCP, está neste momento em curso o processo de fusão entre o Banco Millennium Angola e o Banco Privado Atlântico, que criará o segundo maior banco de capitais privados em Angola, com uma quota de mercado de 10%, havendo a expectativa de que a operação esteja concluída neste segundo trimestre.

O banco Haitong (ex-BES Investimento) publicou recentemente notas de análise em que alertava que o resgate a Angola podia atrasar a fusão do BCP com o Atlântico e desvalorizar o BFA, o que afeta diretamente o valor do BPI.

Lusa

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