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Fundo piora estimativa de crescimento mundial para 3,2% em 2016

O FMI reviu hoje em baixa as projeções para a evolução da economia mundial, antecipando um crescimento global de 3,2% em 2016, e alertou para uma "imagem mais nebulosa" da economia global e para riscos negativos crescentes.

reuters

No 'World Economic Outlook', hoje divulgado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) atualiza as projeções económicas até 2021, depois de em janeiro ter apresentado previsões apenas para as maiores economias do mundo.

A economia mundial deverá crescer 3,2% este ano e acelerar o ritmo de crescimento para os 3,5% em 2017, mas estas projeções são agora mais pessimistas do que as apresentadas em janeiro, altura em que o FMI esperava um crescimento económico mundial de 3,4% em 2016 e de 3,6% em 2017.

A instituição liderada por Christine Lagarde escreve que o crescimento mundial "deve permanecer modesto em 2016" e que "os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento vão representar a fatia de leão do crescimento mundial" este ano, ainda que o FMI preveja um aumento do crescimento destas economias "apenas modesto" face a 2015, "permanecendo dois pontos percentuais abaixo da média da década passada".

O FMI antecipa que as economias emergentes cresçam 4,1% este ano e 4,6% no próximo, projeções que são ligeiramente mais baixas do que as divulgadas em janeiro (-0,2 e -0,1 pontos, respetivamente).

Considerando as grandes economias emergentes, o Fundo prevê que a China abrande o ritmo de crescimento para os 6,5% este ano e para os 6,2% no próximo e prevê, pelo contrário, que a Índia tenha um crescimento de 7,5% nos dois anos, depois de ter crescido 7,3% em 2015.

Os países da América Latina e Caraíbas deverão recuar 0,5% este ano, mas crescer 1,5% em 2017, destacando-se o Brasil, cuja economia deverá contrair-se 3,8% em 2016 e apresentar um crescimento nulo em 2017.

Quanto às economias desenvolvidas, o Fundo espera um crescimento económico de 1,9% em 2016 e de 2% em 2017, valores que eram também mais otimistas em janeiro (em 0,2 e 0,1 pontos, respetivamente).

Dentro das economias consideradas desenvolvidas, o FMI prevê que a zona euro cresça 1,5% este ano e 1,6% no próximo, sendo que há apenas três meses antecipava que as economias da moeda única europeia crescessem mais 0,2 pontos em 2016 e mais 0,1 pontos em 2017.

A instituição prevê que a economia norte-americana cresça 2,4% este ano e 2,5% no próximo, o que se traduz uma revisão em baixa de 0,2 pontos e de 0,1 pontos, respetivamente.

Já o Japão deverá apresentar um crescimento de 0,5% em 2016 mas a economia nipónica deverá recuar 0,1% em 2017, segundo as projeções do Fundo, que foram agora cortadas em 0,5 pontos em 2016 e em 0,4 pontos em 2017.

O FMI adverte que, não só o seu cenário central "é agora menos favorável e menos provável", como também "os resultados negativos tornaram-se mais prováveis", reportando, por isso, uma "imagem mais nebulosa dos fundamentais económicos".

Quanto aos riscos, o Fundo destaca "o regresso da turbulência financeira", que pode prejudicar a confiança e a procura, mas também a saída de capitais dos mercados emergentes, "que pode depreciar ainda mais as suas moedas e, eventualmente, desencadear efeitos adversos nos balanços".

Outra "ameaça" identificada pelo FMI é que "o crescimento persistentemente lento" terá efeitos negativos no potencial de crescimento das economias e, por arrasto, no consumo e no investimento.

O Fundo aponta ainda "pressões com origens políticas, geopolíticas ou naturais", alertando que "o medo do terrorismo também desempenha um papel" e que há o risco de as economias adotarem "políticas mais nacionalistas, incluindo [medidas] protecionistas".

Além disso, o FMI entende também que uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado 'Brexit', "poderia implicar danos regionais e globais severos, ao romper as relações comerciais estabelecidas".

Quanto à "tragédia dos fluxos de entrada [na Europa] de refugiados em larga escala", o Fundo entende que pode gerar "extremismos violentos ou movimentos sectários", fatores que também prejudicariam as economias que os recebem e os países vizinhos.