sicnot

Perfil

Economia

Criação de veículo para malparado é boa ideia e Portugal deve ser proativo, defende OCDE

O economista-chefe da OCDE para Portugal defende que a criação de um veículo para resolver o problema do crédito malparado bancário "é uma boa ideia" e que o país deve seguir o exemplo italiano e "ser proativo".

(Arquivo)

(Arquivo)

Em entrevista à Lusa, Jens Arnold reconhece que, "obviamente, a margem foi limitada pelas novas regras europeias", o que significa que "Portugal não vai conseguir fazer o que fez Espanha".

Espanha criou em 2012 o banco mau Sareb - Sociedade de Gestão de Ativos Procedentes da Reestruturação Bancária, no âmbito do resgate da banca espanhola, que gere e comercializa até novembro de 2027 uma carteira de ativos imobiliários adquiridos com desconto a entidades que beneficiaram de ajuda financeira do Estado, libertando-as assim dos riscos associados.

Estes ativos imobiliários "tóxicos" são créditos para construção imobiliária em situação de incumprimento ou com risco de morosidade, bem como imóveis e terrenos que as entidades financeiras tiveram que assumir por falta de pagamento de hipotecas.

No entanto, as novas regras europeias, que foram alteradas em 2013, impedem que se possa utilizar um veículo com garantia de Estado sem que seja considerado ajuda estatal, o que significa que a solução espanhola não poderá ser replicada.

Reconhecendo que o exemplo espanhol não poderá ser seguido por outros países, o economista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) olha para a experiência de Itália e identifica "desenvolvimentos promissores", que indicam que "há margem, mesmo dentro das regras europeias atuais, para se ser mais proativo".

Em Itália, foi acordado já este ano com Bruxelas a securitização de empréstimos malparados dos bancos italianos que serão vendidos a investidores privados com garantia de Estado, sendo esta operação remunerada segundo as condições de mercado, solução que permitiu ter a aprovação de Bruxelas.

Este mecanismo de garantia é complementado por um fundo, promovido pelo Governo italiano mas que contará com fundos privados, permitindo aos bancos italianos em melhores condições capitalizar os bancos mais frágeis.

"Acho que [o caso de Itália] é uma boa iniciativa que tem de ser explorada, mas o nosso conhecimento nesta área não é assim tão forte e, por isso, não tenho uma resposta pronta" quanto aos moldes deste veículo que concentre o crédito malparado do setor bancário em Portugal.

Ainda assim, Jens Arnold defende que "é bom que Portugal tente ser mais proativo, como Itália está a ser", até porque "é melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada".

O responsável da OCDE destaca também que, em Itália, a situação avançou "relativamente rápido", considerando que "não há razão para que Portugal não capitalize isso".

Já relativamente a uma eventual 'espanholização' da banca portuguesa, Jens Arnold desvalorizou o debate: "Não vejo por que razão seja uma preocupação, acho que a concorrência é sempre boa e a concorrência inclui [a possível entrada de capitais] estrangeiros. Não vejo qualquer problema relacionado com isso", reiterou.

O debate em torno da 'espanholização' da banca portuguesa surgiu na sequência da compra do Banif pelo Santander Totta por 150 milhões de euros, anunciada em dezembro, numa altura em que ainda está por se decidir a venda do Novo Banco e em que o CaixaBank se prepara para lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para controlar o BPI.

  • Drone inglês evita execução do Daesh na Síria
    2:08

    Mundo

    A Força Aérea britânica divulgou esta terça-feira um vídeo que mostra um drone a parar uma execução pública que estaria prestes a acontecer às mãos do Daesh, na Síria. As imagens, apesar de cortadas pelo Ministério da Defesa do Reino Unido, mostram várias pessoas na rua, uma explosão e, depois, a fuga.

  • Atrás das Câmaras em Fátima
    2:48
  • Como fazer negócios no mercado dos leilões
    7:15
  • PS quer reconquistar poder em Vila Viçosa
    2:06

    Autárquicas 2017

    Ana Catarina Mendes insistiu na ideia de que o PSD escolheu um modo perigoso de fazer campanha, ao insistir nas críticas à lei da imigração. Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, esteve esta quarta-feira em campanha no distrito de Évora.

  • Troca de argumentos entre Medina e Cristas marca campanha em Lisboa
    2:34

    Autárquicas 2017

    Esta quarta-feira o dia de campanha em Lisboa ficou marcado por uma troca de argumentos entre Fernando Medina e Assunção Cristas. O atual presidente da Câmara acusa a candidata do CDS de não respeitar os lisboetas por admitir que pode não exercer o cargo de vereadora até ao fim do mandato. Já Assunção Cristas garante que se for eleita cumpre o mandato até ao fim.

  • "Não toleramos ameaças de ninguém"
    2:13
  • Número de tartarugas marinhas está a aumentar

    Mundo

    O número de tartarugas marinhas está a crescer, levando investigadores a considerar que os esforços para salvar estes animais são uma "história de sucesso da conservação global", indica um estudo divulgado esta quarta-feira.

  • Tubarões vivem mais tempo do que se pensava

    Mundo

    Uma revisão de dados sobre avaliação da idade dos tubarões revela que muitas espécies têm maior longevidade do que se pensava, o que poderá obrigar a uma revisão dos planos de conservação das mais ameaçadas.

  • Como mudar um templo com 135 anos e 2 mil toneladas... de lugar

    Mundo

    Um templo budista do século XIX é um dos mais populares em Xangai, na China. Visitado diariamente por milhares de pessoas, precisava de ser relocalizado para evitar que uma tragédia acontecesse. E mesmo pesando cerca de duas mil toneladas, a missão acabou por se provar possível.

  • Casal morre com horas de diferença depois de 75 anos de casamento

    Mundo

    George e Jean Spear morreram no passado dia 15 de setembro, no hospital de Queensway Carleton, em Ottawa (Canadá), depois de terem celebrado 75 anos de casamento em agosto. A britânica de 94 anos conheceu o candaniano em 1941, num salão de bailes, em Londres. George Spear servia as Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial.

    SIC