sicnot

Perfil

Economia

Caixabank diz que já não há negociações sobre BPI, apenas sobre risco de Angola

O Caixabank assumiu hoje que "já não é tempo de negociar com outros acionistas do BPI sobre a estrutura de capital", uma vez que apresentou uma OPA, admitindo apenas dialogar sobre o problema da exposição ao risco de Angola.

© Albert Gea / Reuters

"Quando se apresenta uma OPA (Oferta Pública de Aquisição), já não é tempo de negociar, quando se apresenta uma OPA, os outros acionistas têm de ver se lhes interessa ou não, aceitar ou não. Naturalmente, continuamos a trabalhar construtivamente porque neste caso, além da OPA sobre o BPI, está pendente a resolução de um problema sobre o BFA (Banco Fomento de Angola, detido maioritariamente pelo BPI)", considerou o administrador-delegado do Caixabank, Gonzalo Gortázar.

O Caixabank é o maior acionista do BPI, com 44,1%, e lançou nas últimas semanas uma OPA sobre o restante capital do banco português, condicionada à eliminação dos estatutos de bloqueio na entidade financeira portuguesa, que lhe limitam os direitos de voto a 20%.

O Governo português aprovou um decreto-lei que permite a desblindagem desta cláusula de bloqueio dos direitos de voto, mas à luz das novas regras do Banco Central Europeu, o BPI continua exposto ao risco de Angola, uma vez que detém mais de 50% do Banco Fomento e Angola, que Gonzalo Gortázar descreveu como "uma joia".

"Não que o banco tenha algum problema, mas pesa muito no balanço do BPI e portanto passa os limites de concentração de riscos. Esse risco requer a colaboração de muitas partes, um diálogo construtivo com as autoridades regulatórias de Angola. Já nos pusemos à disposição do Banco Central de Angola para explicar a operação e para encontrar uma solução. E requererá o diálogo com o sócio do BFA em Angola, que é a Unitel", sublinhou.

Ou seja, o Caixabank procurará "sempre o diálogo para solucionar esse problema".

"Mas que fique bem claro: o diálogo refere-se a solucionar o problema de Angola. Não estamos a dialogar com os acionistas do BPI sobre a OPA. Está apresentada e agora toca a aceitar ou rejeitar", reforçou.

Sobre a OPA, os responsáveis do Caixabank consideram que foi apresentada "visando os melhores interesses do BPI".

"Após essa situação [a não concretização do acordo de princípio com os acionistas angolanos do BPI], o Caixabank decidiu que no melhor interesse do BPI deveria apresentar uma oferta que foi a que apresentamos, que pudesse permitir também ao Banco Central Europeu suspender as sanções por incumprimento em relação ao risco de Angola (BFA)", disse Gonzalo Gortázar.

Caso o BPI não reduzisse a exposição a Angola até 10 de abril, arriscava-se a pagar uma multa diária de 160 mil euros. Essa sanção foi suspensa com o anúncio de um pré-acordo e com a apresentação da OPA.

O responsável do Caixabank mostra-se confiante em como o Banco Central Europeu não vai multar o BPI.

"Ainda não foi ainda tomada essa decisão (de avançar para a multa ao BPI), mas temos confiança. Estou confiante que o banco central europeu não pode fazer outra coisa que não seja ajudar neste processo", concluiu.

Lusa

  • Ministro diz que Isabel dos Santos e CaixaBank reataram diálogo
    3:04

    Economia

    Luanda prepara-se para retirar os direitos de voto do BPI no Banco de Fomento Angola (BFA). A notícia surge no mesmo dia em que o Governo garante que foram retomadas as negociações sobre entre Isabel dos Santos e o Caixabank. Em entrevista à TSF, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, mostra-se confiante numa solução consensual mas sublinha que o Governo está à margem do processo das negociações.

  • Um retrato devastador do "pior dia do ano"
    2:47
  • Um olhar sobre a tragédia através das redes sociais
    3:22
  • "Estão a gozar com os portugueses, esta abordagem tem de mudar"
    6:45

    Opinião

    José Gomes Ferreira acusa as autoridades e o poder político de continuarem a abordar o problema da origem dos fogos de uma forma que considera errada. Em entrevista, no Primeiro Jornal, o diretor adjunto da SIC, considera que a causa dos fogos "é alguém querer que a floresta arda". José Gomes Ferreira sublinha que não se aprendeu com os erros e que "estão a gozar com os portugueses".

    José Gomes Ferreira

  • "Os portugueses dispensam um chefe de Governo que lhes diz que isto vai acontecer outra vez"
    6:32

    Opinião

    Perante o cenário provocado pelos incêndios, os portugueses querem um chefe de Governo que lhes diga como é que uma tragédia não volta a repetir-se e não, como disse António Costa, que não tem uma fórmula mágica para resolver o problemas dos fogos florestais. A afirmação é de Bernardo Ferrão, da SIC, que questiona ainda a autoridade da ministra da Administração Interna para ir a um centro de operações, uma vez que é contestada por toda a gente.

  • Portugal precisa de "resultados em contra-relógio, após décadas de desordenamento florestal"
    1:18
  • Jornalista que denunciou corrupção do Governo de Malta morre em explosão

    Mundo

    A jornalista Daphne Caruana Galizia, que acusou o Governo de Malta de corrupção, morreu esta segunda-feira, numa explosão de carro. O ataque acontece duas semanas depois de a jornalista maltesa recorrer à polícia, para dizer que estava a receber ameaças de morte. A morte acontece quatro meses após a vitória do Partido Trabalhista de Joseph Muscat, nas eleições antecipadas pelo primeiro-ministro, após as alegações da jornalista, que o ligavam a si e à sua mulher ao escândalo dos Panama Papers. O casal negou as acusações de que teriam usado uma offshore para esconder pagamentos do Governo do Azerbaijão.