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Freitas do Amaral alerta para riscos da banca nacional ser controlada por outro país

O antigo líder do CDS Diogo Freitas do Amaral alertou hoje que a banca portuguesa ficar "toda nas mãos" de empresas" do mesmo país estrangeiro terá "influência negativa" no sistema bancário e no "próprio conceito de independência nacional".

(Arquivo)

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LUSA

Em Braga, à margem de uma aula aberta de Direito Constitucional na Universidade do Minho, o também ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e subscritor de um manifesto, conhecido a 29 de abril, no qual é defendido um pensamento estratégico sobre a reconfiguração da banca em Portugal, salientou que o "problema" não está no facto dos bancos privados portugueses estarem a ser comprados por entidades espanholas mas sim em serem "todas" do mesmo país, independentemente do país que for.

Freitas do Amaral defendeu que o Governo deve tentar encontrar compradores de outras nacionalidades ou "tentar inverter" a situação e "adiar" a venda ou ainda optar por uma "nacionalização temporária", que não teria custos para o contribuinte.

"A verdade é que vários bancos privados foram caindo e há o risco de virem a ficar todos nas mãos de bancos de um só país. O problema não é serem todos do mesmo país. Não convém a Portugal é que toda banca, exceto a Caixa Geral de Depósitos, fique nas mãos de empresas do mesmo país porque isso terá influência negativa quer no funcionamento do sistema bancário, quer até no próprio conceito de independência nacional", alertou o professor.

Isto porque, explicou, que em caso de uma nova crise "a reação vai ser descarregar mais os efeitos da crise sobre os bancos portugueses do que sobre os estrangeiros, ou sobre a parte portuguesa dos bancos espanhóis do que sobre a parte espanhola", algo que considerou "inevitável, humano e natural".

Por isso, o ex-candidato a presidente da República apontou como caminho "tentar arranjar" interessados nos bancos portugueses "noutros países": "Porque não a França, porque não a Alemanha, porque não a Inglaterra, porque não os EUA, que mal tem um banco americano em Portugal, se os há na França, em Inglaterra, na Alemanha", questionou.

A não ser possível encontrar interessados noutro país, Diogo Freitas do Amaral defende outra solução como "inverter a situação tal como ela está e adiar a venda" alertando ainda que "o fato de se anunciar que se quer vender rapidamente desvaloriza o valor do banco" e que a "precipitação é inimiga da solução".

Caso aquelas soluções não fossem possíveis, Freitas do Amaral apontou, então, uma terceira via.

"Se não houver outra solução, então eu preferia a nacionalização temporária que, aliás, não custa dinheiro ao Estado porque aquilo praticamente já é do Estado. Fazia-se uma nacionalização temporária até repor outra vez aquele banco em excelentes condições", referiu.

Lusa

  • A montanha pariu a banca

    Anselmo Crespo

    Se um pequeno banco, de uma pequena economia, de um pequeno país, quiser ser grande, o que tem que fazer? Tem que olhar para os grandes bancos, de grandes economias e de grandes países e pensar fora da caixa. Foi o que fizeram os bancos portugueses. O raciocínio estava aparentemente correto. Mas quando um pequeno banco, de uma pequena economia, de um pequeno país se agiganta, corre o risco de se tornar ganancioso. E a ganância mata.