sicnot

Perfil

Economia

Porto menos tradicional devido ao turismo

A explosão do turismo em cidades como o Porto está a alterar as tendências de investimento urbanas com novas manifestações físicas e arquiteturais, substituindo espaços tradicionais como por exemplo tascas e mercearias portuenses em cafés internacionais, indica um estudo.

© Jose Manuel Ribeiro / Reuters

A Casa da Música, a Rua das Flores ou a Mercearia Oriental são alguns dos exemplos do fenómeno de turismo arquitetónico no Porto, que revelam a perda de valores arquitetónicos tradicionais em prol da globalização para receber turistas, contou à Lusa Lúcia Pedro, mestre pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, e autora do recente estudo científico intitulado 'Arquitetura e Espaço Publico do Turismo e do Lazer'.

"Este fenómeno ocorre essencialmente pela necessidade que a cidade tem em estabelecer uma conexão de proximidade cada vez maior com o turista, principalmente internacional. Seja pela necessidade de criar formas que o apelem, como o caso da Casa da Música, assente sobre a ideia de 'marketing' visual, seja pela recriação de espaços de lazer, como o caso dos cafés da Rua das Flores, que se aproximam de uma imagem cada vez mais internacional em detrimento de uma imagem tradicional", conta a arquiteta.

Segundo Lúcia Pedro, a Casa da Música não tem particularidades de arquitetura típica portuguesa.

"É uma arquitetura espetáculo do 'star system'. É uma arquitetura de betão que raramente se vê em Portugal", refere a especialista, afirmando que é um sinal da cidade do Porto que é feito para turistas.

Para contrapor à Casa da Música, a investigadora exemplifica na cidade do Porto o Museu de Serralves, porque integra em si a "vernaculidade portuguesa".

Um outro exemplo do fenómeno a que se assiste na cidade que se transforma para os turistas é a renovada Rua das Flores, onde se perderam as tradicionais tascas portuenses para dar lugar a cafés e bares com uma imagem mais globalizante.

"O típico café e tasca da Rua das Flores perdeu-se em prol de espaços que os turistas se identificam e que se aproximam de uma imagem cada vez mais internacional. Perde-se a singularidade do Porto, mas os turistas ganham uma imagem que reconhecem que se aproximam de uma imagem cada vez mais internacional", explica.

Segundo a arquiteta, a investigação que fez conclui que este fenómeno da adaptação da cidade e da arquitetura ao turismo deve-se "à necessidade de criar espaços onde os turistas se consigam projetar e apropriar com facilidade".

"São imagens confortáveis, conhecidas 'a priori' pelos turistas. Quase que podemos aqui aplicar a definição antropológica dos não lugares a estes novos espaços".

Para a arquiteta, esta mudança nas cidades tem tanto um lado positivo, como um lado negativo.

"Acho que se perde valor nacional, porque se perde a identidade da cidade, mas como vivemos num Mundo globalizado, temos de nos integrar senão morremos. A cidade e a arquitetura têm de se integrar na globalização", conclui.

O estudo científico demonstra que a cidade turística se redefine em função das lógicas de promoção turística resultando daqui "mutações formais, visuais e também das próprias tradições", começando a ser criadas cidades visualmente "consumíveis".

"Não só a cidade produz o turismo como cada vez mais o turismo produz e reproduz a cidade operando essencialmente através da comunicação visual".

A globalização da cidade que se transforma para receber o turista é fruto de uma cada vez maior dependência do setor, observa a arquiteta.

"A cidade parece depender do turismo mais do que nunca, isto porque este se tem revelado, até agora, como a melhor forma de revitalização e reciclagem urbana".

Lusa

  • Carro que atropelou adepto encontrado numa garagem na Amadora
    1:51

    Desporto

    O carro que atropelou o adepto da Fiorentina, junto ao Estádio da Luz, está nas mãos da Polícia Judiciária. O automóvel foi encontrado esta terça-feira por uma brigada da PSP na garagem de um casa da Amadora, que pertence a um elemento da claque dos No Name Boys.

  • Portugueses passam mais de oito horas por semana ao volante
    0:59

    País

    Os portugueses gastam, em média, oito horas em deslocações durante a semana. Um estudo do Observatório Europeu da Mobilidade, divulgado hoje, diz ainda que a grande maioria prefere o automóvel como meio de transporte. Entre os países europeus, Portugal é líder na utilização do carro para deslocação para o trabalho.

  • A SIC foi dar uma volta de bicicleta

    País

    Há 90 anos, cerca de 40 ciclistas partiam do Marquês de Pombal, em Lisboa, para a primeira etapa da 1.ª Volta a Portugal de Bicicleta. Hoje, um grupo de investigadores repete o percurso, até Setúbal, dando início a uma viagem que pretende incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte no dia-a-dia. Um jornalista da SIC segue no pelotão e pode acompanhar a viagem em direto no Facebook da SIC Notícias.

    SIC

  • Angola com eleições a 23 de agosto

    Mundo

    O chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, convocou as próximas eleições gerais em Angola para 23 de agosto de 2017, informou hoje à agência Lusa a Casa Civil do Presidente da República.

  • Portugal subiu cinco lugares no Ranking da Liberdade de Imprensa
    1:42

    País

    Portugal está agora na 18 ª posição em 180 países no relatório deste ano dos Repórteres Sem Fronteiras. Esta associação revela que a imprensa portuguesa foi condenada 21 vezes por violação de liberdade de expressão e por difamação pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.