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CGTP solidária com a luta dos estivadores do Porto de Lisboa

A CGTP manifestou hoje a sua solidariedade aos estivadores do Porto de Lisboa na defesa da contratação coletiva, sublinhando o apoio às lutas destes para defenderem os seus postos de trabalho e os seus direitos laborais.

STEVEN GOVERNO

"A CGTP-IN manifesta a sua solidariedade à luta dos trabalhadores estivadores do Porto de Lisboa, pela defesa da contratação coletiva, contra a precariedade, a prepotência e a arrogância patronal", refere o sindicato, em comunicado hoje divulgado.

No documento, a CGTP-IN refere que a luta dos estivadores ganha "maior relevância" após o anúncio de "um suposto despedimento coletivo, que é ilegal e uma violação grosseira da Lei da Greve, perpetrada pelo patronato, com o apoio da PSP".

De acordo com o comunicado, assinado pelo secretário-geral da central, Arménio Carlos, os problemas laborais "não se resolvem com o recurso à mentira, ao terrorismo psicológico e à generalização da precariedade e dos baixos salários", situação que o sindicalista acusa que tem sido uma prática.

"O patronato utiliza o diálogo como uma manobra de diversão e a negociação como um instrumento de imposição de normas que desvalorizam o trabalho e põem em causa a dignidade dos trabalhadores", refere.

Para Arménio Carlos são "inadmissíveis todas as atitudes patronais que visem a redução brutal dos rendimentos e direitos dos trabalhadores, para assegurar o aumento da exploração e, com ela, a acumulação de lucros".

Na terça-feira, cerca de 40 estivadores estiveram concentrados durante perto de nove horas na entrada do Porto de Lisboa, entre as 09:00 e as 18:00, depois de a PSP ter enviado uma equipa de várias dezenas de elementos para o local, para acompanhar a saída de contentores retidos há cerca de um mês naquele local, quando os estivadores começaram a greve.

Os operadores do Porto de Lisboa vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, uma proposta de acordo de paz social, que foi recusada. As versões do sindicato e dos operadores e Governo não coincidem, sobretudo na questão da Porlis (empresa de trabalho portuário cuja extinção era uma das reivindicações dos sindicatos).

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, disse, entretanto, que os operadores propuseram suspender os trabalhos da Porlis, mas o documento previa apenas que os operadores se comprometessem a "encontrar uma solução relativamente" ao futuro da empresa de trabalho portuário.

Na terça-feira, o presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano classificou de "terrorismo psicológico" e "atentado ao Estado de direito" o anúncio de um despedimento coletivo e a presença da PSP no Porto de Lisboa, para acompanhar retirada de contentores retidos.

Contudo, António Mariano disse que os trabalhadores estão dispostos a chegar a um entendimento, caso a empresa criada paralelamente for encerrada e se forem resolvidas duas situações do contrato coletivo de trabalho.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de abril com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriados.

De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.

Também a União do Sindicatos da Madeira (USAM) se mostrou solidária com a luta dos estivadores do Porto de Lisboa, subscrevendo o comunicado da CGTP-IN.

Lusa

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